Quando uma startup é fundada e decide se financiar com investidores externos, é preciso pensar em formas de fazer o exit no futuro, para dar retorno financeiro para quem apostou na ideia e tomou o risco junto com o empreendedor. O M&A é o caminho mais frequente para isso, e números indicam que o mercado está aquecido: o primeiro semestre de 2024 registrou 104 transações de fusão e aquisição, o equivalente a 61% do total registrado em todo o ano de 2023, de acordo com a terceira edição do M&A Deals Report, desenvolvido pela Questum, em parceria com o Sebrae Startups.

Para Rafael Assunção, fundador e sócio da boutique de M&A, isso mostra uma recuperação do ecossistema brasileiro. “Temos uma normalização pós-inverno das startups. Já tivemos a taxa de juros baixa, vivemos a alta, vimos um efeito chicote, e agora estamos chegando a 10%, o que é o normal para o Brasil. Passada a ressaca, voltamos para o volume de atividades”, opina. Os segmentos mais ativos foram fintechs, ERP/TI, educação, logística, saúde e seguros.

Além do fator macroeconômico, o especialista aponta a entrada de novos compradores como outro motivo para os números de M&A deste ano. Se entre 2020 e 2021 as transações eram feitas por compradores “em série”, como Magalu, B2W, Locaweb e Totvs, que chegaram a adquirir até 10 startups por ano, agora o cenário mudou: a empresa que mais fez transações comprou duas startups. Novos players entraram no mercado, como outras startups e scale-ups que passaram a fazer M&As estratégicos para crescimento inorgânico.

“Os compradores seriais se retraíram, principalmente os ligados ao varejo, mas existem vários novos players que enxergaram no M&A uma forma de se conectar com o ecossistema e trazer inovação para o negócio. Ampliou-se o buy side, o volume e perfil dos compradores, dando mais oportunidade para os empreendedores”, pontua.

Entre os exemplos que estão se consolidando estão startups em estágio já avançado, como CRMBonus – que captou uma Série B de R$ 455 milhões neste ano, após adquirir ChefsClub, Zipper, Giver e Becon em um ano e meio –, Wellhub (antiga Gympass) e Loft. A estratégia é adotada para manter a velocidade de crescimento anual no patamar de 30% a 40% por ano.

“Elas estão acostumadas a navegar em velocidade acelerada. Para continuar ampliando o portfólio, não tem como fazer em casa. Quanto maior a startup, menor é a capacidade de esperar anos para construir algo novo”, indica Assunção.

O estudo também mostrou que a maioria das transações se manteve concentrada entre R$ 20 milhões e R$ 200 milhões. O especialista alerta que o empreendedor precisa ter esse número em mente para traçar os planos para a startup.

“A não ser que você se torne um consolidador, não adianta captar com valuation de R$ 100 milhões se depois não vai ter quem te compre depois. Mas a realidade é que a maioria será consolidada. Existe uma janela ótima para fazer negócio, os dados reiteram isso semestre a semestre, a questão é se preparar e colocar o alvo dentro deste espaço, onde as chances são maiores”, finaliza… leia mais em PEGN 23/07/2024