Do disque-pizza a entregas Turbo: CEO da Rappi explica planos para IPO
Quando não existia Whatsapp, Messenger e afins, o jovem usava uma ferramenta de troca instantânea de mensagens bem arcaica para os padrões de hoje: o mIRC. Muitos millennials vararam madrugadas nas salas de bate papo desse programa de computador, que já permitia troca de arquivos e atualização de “status” – era o auge da socialização virtual. E foi nesse ambiente que Felipe Criniti, ainda adolescente, aprendeu programação e desenvolveu um jogo online de RPG, daqueles em que os participantes interpretam personagens dentro de um universo de magos e monstros. A empreitada nerd foi a primeira de um jovem do litoral paulista que viria a assumir, dali a duas décadas, a cadeira de CEO em uma das empresas de delivery mais conhecidas do Brasil: a Rappi.
Mas a carreira de executivo não era o que enchia os olhos de Felipe em sua juventude. Neto de empreendedora, ele se inspirava na avó, que foi dona de dois salões de beleza. Ao se tornar pai aos 21 anos, quando não tinha nem concluído a faculdade de engenharia mecatrônica, comprou uma pizzaria de bairro em São Vicente, na Baixada Santista. “Um salãozinho com meia dúzia de mesas”, segundo ele, para fazer um extra. Apesar do espaço pequeno, o forte mesmo era o “disque-pizza”. Foi nessa experiência que Felipe identificou os muitos gargalos que o delivery tinha na época. “Havia muita dificuldade para se contratar entregadores”.
Essa foi uma questão que seguiu ecoando na cabeça do jovem, mesmo enquanto tocava as três startups que ajudou a fundar nos anos seguintes: a Foco, de gerenciamento de obras, a KeyCar, de gestão de frotas automotivas, e a Machine Air, de reconhecimento facial. Com a Box Delivery, fundada em 2016, o empreendedor trouxe o tema para o centro do negócio que se tornou um divisor de águas em sua jornada.
A “Box”, como é carinhosamente chamada por seu fundador, surgiu como um hub de entregadores em um momento de ascensão dos market places de restaurantes, como o Ifood. “Os restaurantes não tinham logística de entrega e o entregador, na verdade, era a chave para o sucesso do negócio”, explica. De Santos, o negócio expandiu para Campinas, no interior de São Paulo, e, durante a pandemia, “acelerou cinco anos em um”, segundo Felipe, tamanha foi a demanda por delivery.
Foi essa pujança que chamou a atenção da Rappi. Em 2022, Felipe inicia as conversas com os fundadores da startup colombiana de entregas sob demanda, que havia estreado no Brasil cinco anos antes. Capitalizada por aportes que a levaram a um valor de mercado superior a US$ 5 bilhões, a Rappi fecha a compra da Box Delivery em abril de 2023, no “maior negócio de sua história”, e leva o fundador junto. Em menos de três meses, Felipe é anunciado CEO da operação brasileira.
Sob sua gestão, como já era de se esperar, a Rappi ganhou tração em food delivery. Recentemente, a empresa fechou parceria com o fast food de comida árabe Habib’s para realizar entregas ultrarápidas, feitas em até 15 minutos, na Grande São Paulo. É levando restaurantes para o Rappi Turbo, vertical de ultra conveniência lançada em 2021, que a empresa espera ganhar poder de fogo contra a sua principal concorrência, o Ifood. “Ultrarrápido dessa forma, é só a gente que fez”, diz o CEO.
De acordo com a empresa, mais de 13 milhões de pedidos foram entregues pelo Rappi Turbo desde sua estreia. E é com essa estratégia que a empresa espera dobrar a participação de restaurantes em sua receita no mercado brasileiro até o final de 2024, ano em que a empresa prevê investir R$ 100 milhões no país. Ao InfoMoney, Felipe Criniti falou sobre outros segmentos que estão na mira da entrega turbo, o papel do Brasil na operação global da Rappi e como o país passou a ser o centro de gestão financeira da empresa.
InfoMoney: Como foi tomar a decisão de vender a Box Delivery para a Rappi?
Felipe Criniti: Começamos a conversar em meados de agosto de 2022. Existia uma vontade da Rappi de não só trazer uma estabilidade para a operação, mas também de ….. leia mais em InfoMoney 22/08/2024

