Venda da rede Selina dá alívio aos cotistas do fundo Mogno Hotéis
A venda da rede hoteleira Selina Hospitality, que controla os nove hotéis da bandeira no Brasil, para a Collective Hospitality, do grupo de Cingapura Destination, trouxe uma esperança para os cotistas do fundo Mogno Hotéis (MGHT11). Com exposição à marca, o fundo disparou 28,83% na quarta-feira, a R$ 21,09 a cota.
Gerido pela Valora Investimentos, o fundo aluga dois imóveis para a Selina, um localizado na Vila Madalena, na cidade de São Paulo, e outro em Búzios, no Rio, que representam 64% do portfólio. Tem também Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), que foram emitidos para financiar o investimento em outras sete unidades do grupo no Brasil, que representam 45,6% do portfólio.
Desde maio, o grupo Selina tem atrasado o pagamento dos alugueis e também dos juros dos CRIs vencidos em junho e julho. Isso gerou um prejuízo de R$ 79,5 mil para o portfólio em julho, equivalente a R$ 0,06 por cota, que foi suportado pela reserva de caixa. Para preservar a liquidez, a gestora do fundo decidiu não fazer a distribuição de dividendos.
Fundada em 2014 por Rafael Museri e Daniel Rudasesvki no Panamá, a rede hoteleira tem como foco viajantes jovens e nômades digitais e ficou conhecida por ter um estilo parecido com hostels, oferecendo quartos individuais e coletivos. A empresa chegou a ser listada na Nasdaq em 2022, por meio de uma fusão com a Spac BOA Acquisition Corp.
Mas a crise financeira que o grupo enfrentou desde a pandemia, não conseguindo honrar um empréstimo de US$ 500 mil ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, levou a empresa a declarar insolvência e o grupo foi deslistado da Nasdaq em julho.
A companhia reportou prejuízo de US$ 46 milhões no primeiro semestre de 2023 e começou a fechar hotéis. A consultoria de reestruturação de empresa FTI Consulting foi contratada para reestruturar a operação e analisar a venda de ativos. A rede Selina possui mais de 100 hoteis e está presente em 22 países da América do Norte, América Latina, Europa e Ásia.
Embora a Selina Hospitality não seja garantidora da operação dos CRIs no Brasil, a gestora Valora, que herdou o fundo MGHT11 com a compra da Mogno, solicitou à Selina Brazil que apresente um plano de recuperação da operação local e alguma alternativa de refinanciamento da dívida para que seja restabelecido o pagamento dos aluguéis.
A gestora afirmou que recebeu notificação do CEO da Collective Hopitality, Garyy Murray, sobre a compra da Hospitality e que buscará junto ao grupo de Cingapura a melhor solução para essa situação de inadimplência, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)… leia mais em Pipeline 28/08/2024

