A Qualcomm procurou a rival Intel nos últimos dias para propor uma aquisição, de acordo o Wall Street Journal, citando fontes familiarizadas com o assunto. A possível compra criaria uma verdadeira gigante na indústria de semicondutores e, ao mesmo tempo, daria um alívio para os problemas financeiros e de qualidade que a Intel vem enfrentando – e, após a notícia do WSJ, as ações da empresa reverteram curso de queda no intraday e subiram 8% antes de fechar em alta de 3%, enquanto a Qualcomm fechou em queda de 3%.

A possibilidade de aquisição é incerta, porém. Ainda, não se sabe se a Intel se mostrou interessada nem quais seriam os termos do acordo, diz o canal de televisão CNBC, que confirmou a notícia do WSJ.

Se concretizada a proposta, esse pode se tornar o maior M&A do mercado de tecnologia. Até hoje, o maior deal é a compra do estúdio de games Activision Blizzard pela Microsoft, em valor de US$ 68,7 bilhões. Nesta sexta-feira, a Intel era avaliada em cerca de US$ 87 bilhões – em 2020, o valuation era de US$ 290 bilhões.

O principal entrave, se a Intel se mostrar receptiva à proposta, parece ser o escrutínio dos órgãos reguladores. Acordos similares na área de semicondutores foram barrados pelo FTC americano nos últimos anos, como a aquisição da Qualcomm pela Broadcom, por US$ 100 bilhões, e a aquisição da Arm, então do SoftBank, pela Nvidia por US$ 40 bilhões.

Na área de chips para PCs e laptops, a Qualcomm, fundada em 1985, é a principal rival da Intel, nascida em 1968. Mas a companhia mais nova apostou na corrida de chips para celulares nos anos 2000, e hoje fornece processadores e modems para celulares Android, do Google, e iPhone, da Apple. Por outro lado, a Intel possui um parque próprio para a fabricação de semicondutores, enquanto a sua concorrente terceiriza a produção para a taiwanesa TSMC e a sul-coreana Samsung, após já ter tentado costurar um acordo com a conterrânea.

A Intel também deixou passar outra onda de inovação no mercado: a inteligência artificial, área em que se especializou a Nvidia com as placas de processamento gráfico (GPU), processadores muito utilizados na indústria de games e hoje adaptados como NPUs (placas de processamento neurais), os chips utilizados para treinar modelos de IA. Nessa área, a Nvidia possui mais de 80% do market share, o que ajuda a explicar como a empresa de Jensen Huang, fundada em 1999, de repente se tornou a terceira maior big tech do mundo, avaliada em US$ 3 trilhões.

Investidores começaram a penalizar a Intel por ter ficado para trás em relação aos concorrentes. Somente em 2024, as ações da empresa despencaram 53%. Em agosto passado, após desapontar nas vendas no segundo trimestre deste ano, os papéis caíram 26%, pior número para a fabricante desde 2013.

Nesta semana, o CEO Patrick Gelsinger, que voltou à Intel em 2021, surpreendeu o mercado ao anunciar que a Intel vai tornar independente a subsidiária de fundição de chips, chamada Intel Foundry e responsável por desenhar novos processadores. Wall Street gostou, e as ações subiram 8% após o anúncio… saiba mais em Pipeline Valor 20/09/2024