HMC investe em venture capital global com Siggy Strack, que geria fortuna de Michael Bloomberg
A gestora HMC Capital está estruturando um fundo de participações para investir em venture capital global. Ao invés de bater de porta em porta – a maioria delas, difíceis de abrir – em busca dos melhores gestores no segmento, a HMC entrega o capital nas mãos de Sigurd Strack, o ex-McKinsey e Coliseum Capital que ganhou notoriedade ao gerir a estratégia de private equity da fortuna de Michael Bloomberg, na Willett Advisors, por uma década.
Siggy, como é mais conhecido, tornou-se chefe de investimentos privados da Trinity Alps em 2019 e tem hoje US$ 1,05 bilhão sob gestão. A Trinity foi fundada dois anos antes por Raj Venkatesan, um ex-Standard Pacific Capital que hoje fica à frente da estratégia global de ações.
O Alpha Ventures busca entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões e já tem investidores institucionais como Safra e WHG, com US$ 40 milhões comprometidos. “Muitos investidores acabam descontinuando seus programas de venture capital se não consegue acessar os melhores gestores, porque os melhores resultados são concentrados em algumas firmas e que tendem a ser consistentes”, diz Nicholas Franco, chefe de growth e venture da HMC Capital.
“O Siggy tem o acesso aos VCs globais que são top tier e abrem pouco espaço para investidores da América Latina. O fato de ter investimentos primários e secundários também cria um fluxo de caixa mais interessante do que fundos que só atuam em transação primária”, complementa Agnaldo Andrade, sócio e chefe de distribuição da gestora no Brasil.
A rede de relacionamento com gestores guia a estratégia da Trinity de investir em fundos de terceiros ou coinvestir, em leverage buyout (LBO), growth e venture capital. Em VC, que soma US$ 200 milhões do AUM sob Siggy, as aplicações estão em casas como Sequoia, Accel, Founders Fund, General Catalyst, a16z e Khosla. Em LBO/growth, firmas como Stripes, Golden Gate Capital e Dragonner.
Siggy conta que tipo de oportunidade vê hoje em venture capital, depois do chacoalhão global neste mercado e porque a iliquidez, ainda relevante, pode ser uma oportunidade única para comprar posições de outros investidores.
Mais da metade do fluxo de capital de venture capital do mundo está indo para empresas de inteligência artificial. É uma área de capital intensivo, principalmente nas chamadas aplicações horizontais, que estão criando linguagem. A OpenaAI está captando agora a um valuation US$ 150 bilhões. Investidores corporativos de Apple, Nvidia, estão participando de rounds. Mas veja o iPhone, por exemplo: hoje essencialmente há dois provedores de hardware, a Apple e a Samsung. Esperamos uma dinâmica similar na infraestrutura de IA. IA não é novo, investimentos nos últimos sete, oito anos, mas foi com o ChatGPT que o público notou. Mas há diversos temas e oportunidades nas aplicações em saúde, educação, indústria, jurídico, RH, a indústria de jogos. São verticais que podem criar companhias de mais de bilhão.
Venture capital costumava ser concentrado nos Estados Unidos e, mais especificamente, no Vale do Silício. Quando cheguei no Vale, há quase 30 anos, 85% do venture capital global era originado nos EUA e 90% disso era no Vale. Era muito concentrado e isso mudou muito. Ainda é uma geografia com mais funding de VCs, mas que responde por 25% do volume dos EUA. As gestoras com as quais trabalhamos não são focadas localmente, mas procuram oportunidades globais. A Europa é uma região animadora, que está aumentando importância na formação de unicórnios, e deve ficar com até 30% do capital do fundo. Tem Israel. Na Ásia, a China teve um papel importante, mas a restrição a fluxo de capital lá reduziu o apetite, mas há outros mercados do continente, seletivamente.
Na Trinity, trabalhamos com um portfólio concentrado de gestores, são atualmente 18 general partners (GPs) nesses US$ 1 bilhão sob minha gestão. O fundo Alpha vai investir em fundos de firmas generalistas, de forma ainda mais concentrada, que buscam diferentes áreas temáticas, em early stage: seed, série A e até pré-seed. Alguns investimentos chegam a rounds mais avançados, por meio de follow-on pro rata. Mas quanto mais novata, maior o potencial retorno.
Que patamar de retorno?
Nos investimentos no mercado privado, buscamos uma taxa interna de retorno líquida de 15% a 20%. Dada a diferença de liquidez, precisamos entregar retornos 500 a 700 pontos base acima da bolsa. Nos cinco anos da estratégia temos entregado acima disso. O componente secundário, num ambiente de iliquidez, é uma oportunidade para buyout em fundos existentes.
O early stage é também onde está a maior taxa de mortalidade das startups…
Certamente. É mais do que esperado que metade, às vezes 60%, dos investimentos em fundo early stage sejam marcados a zero. É realmente um ou dois outliers num fundo que fazem o retorno, aquele que vai se tornar um decacórnio.
Quais os seus critérios para escolha de fundos de terceiros? Índice de unicórnios?
É importante não pensar que o VC é uma classe de ativo que você fica selecionando fundos de diversos gestores e mudando de uma firma para outra. Há mais de 3 mil VCs nos Estados Unidos e outros 1,5 mil na Europa, mas os retornos são concentrados em poucas firmas. Mas muitas vezes não há uma distribuição equânime de retorno entre as safras e você não quer perder uma, por isso seguimos com os GPs com consistência.
Quão concentrado?
As cerca de 20 firmas de venture capital que somos focados estão por trás de um terço dos unicórnios do mundo e de metade das companhias que passaram de US$ 10 bilhões em valuation. Nenhuma outra classe de ativos tem um índice de sucesso tão concentrado. Investir com essas firmas significa capturar temas, geografias e retornos concentrados no topo da indústria… leia mais em Pipeline 27/09/2024

