Ao entrarmos no último trimestre de 2024, a Fitch Ratings revelou sua mais recente previsão de crescimento para a América Latina, com foco nas perspectivas econômicas pós-eleições nos EUA.

Entre os países analisados, Colômbia e Brasil se destacam com as perspectivas mais promissoras de crescimento econômico regional até 2025.

Ambas as nações estão posicionadas para se beneficiar de setores-chave como infraestrutura digital e turismo, enquanto outros países enfrentam desafios distintos.

Do crescente setor de data centers do Brasil à instabilidade política do Equador antes das eleições, a região apresenta uma mistura dinâmica de oportunidades e riscos.

O crescente mercado de data centers do Brasil

O Brasil está fazendo avanços significativos no espaço de infraestrutura digital, atraindo mais de US$ 4 bilhões em investimentos em setembro de 2024 para reforçar suas capacidades de data center.

Espera-se que esse fluxo de capital aumente drasticamente a capacidade dos data centers do país, com projeções que excedem 415 megawatts (MW) nos próximos três anos.

Grande parte desse crescimento é impulsionado pela crescente demanda por serviços digitais, especialmente de empresas sediadas nos EUA que buscam expandir suas operações na América Latina.

O ambiente regulatório favorável do Brasil e o foco crescente em soluções digitais posicionaram o país como um crescente centro digital regional.

Analistas acreditam que, à medida que a demanda por computação em nuvem e outros serviços digitais aumenta, o Brasil desempenhará um papel cada vez mais importante no atendimento às necessidades tecnológicas da região.

Colômbia: boom turístico

A Colômbia deverá experimentar um aumento acentuado nas chegadas de turistas em 2024 e 2025, em grande parte devido a campanhas promocionais agressivas direcionadas aos principais mercados da América do Norte e Latina.

Esses esforços de marketing foram adaptados para destacar as atrações culturais e naturais da Colômbia, atraindo uma gama diversificada de visitantes ao país.

O governo colombiano também está investindo na atualização da infraestrutura turística para acomodar esse crescimento.

Esse aumento no turismo é essencial para a economia do país, que depende muito da receita relacionada a viagens.

Com foco no crescimento de longo prazo, o país está diversificando seus mercados de origem, garantindo que seu setor de turismo permaneça resiliente nos próximos anos.

Chile: recuperação lenta do setor bancário

O setor financeiro do Chile está passando por uma recuperação gradual, particularmente na área de empréstimos.

A previsão é que o crescimento dos empréstimos aumente em 2024 e 2025, mas o Credit Suisse revisou suas projeções anteriores para baixo, agora esperando que o crescimento anual dos empréstimos atinja 5,8% até o final de 2024, abaixo da previsão anterior de 7%.

Vários fatores estão contribuindo para essa recuperação mais lenta do que o esperado.

As pressões de lucratividade sobre os principais bancos, juntamente com as taxas de juros flutuantes, estão dificultando os esforços para restaurar uma forte atividade de empréstimos.

Embora o crescimento ainda seja esperado, o ritmo pode ser mais lento do que o inicialmente esperado, e pode levar mais tempo para o setor se recuperar totalmente.

Equador: instabilidade política antes das eleições

O Equador está enfrentando desafios políticos significativos à medida que se prepara para as eleições de fevereiro.

Insights recentes da aquisição da GeoQuant pela BMI, uma empresa de análise de risco político, destacaram as crescentes tensões sociopolíticas no país.

Espera-se que esses fatores desempenhem um papel crucial na formação do resultado eleitoral, com potenciais impactos na estabilidade econômica e política do país.

À medida que o Equador atravessa esse período de volatilidade, aumentam as preocupações sobre seu futuro, principalmente em vista do ambiente imprevisível.

As eleições servirão como um teste decisivo para a capacidade do Equador de administrar seus desafios políticos e, ao mesmo tempo, proteger seus interesses econômicos.

Transição energética da América Latina

Enquanto grande parte do mundo está em transição para energia mais limpa, a América Latina continua enfrentando obstáculos significativos para reduzir sua dependência de combustíveis fósseis.

Apesar dos esforços para promover fontes de energia de baixo carbono, a região ainda depende fortemente de petróleo e gás, principalmente em países como Argentina, Brasil e México.

Segundo projeções, as emissões na América Latina devem aumentar 18,1% entre 2024 e 2033, impulsionadas pelos setores de transporte, indústria e energia.

Essa tendência levanta preocupações sobre a contribuição da região para as mudanças climáticas, à medida que as principais economias lutam para equilibrar o crescimento econômico com a responsabilidade ambiental.

Uruguai: crescimento constante

O Uruguai continua sendo um dos pontos positivos da América Latina, com crescimento real do PIB projetado para atingir 2,5% em 2024, ligeiramente ajustado para 2,3% em 2025.

O ressurgimento do setor agrícola, que enfrentou dificuldades nos últimos anos, é um grande contribuinte para esse crescimento.

A capacidade do Uruguai de administrar seus recursos econômicos e, ao mesmo tempo, manter a estabilidade política e social reforçou sua resiliência diante das incertezas econômicas globais.

À medida que o país continua a capitalizar seus pontos fortes, ele está bem posicionado para um crescimento contínuo nos próximos anos… saiba mais em msn 05/10/2024