Uma fusão envolvendo Yduqs (YDUQ3) com Cogna (COGN3) ou Vitru Educação (VTRU3) demandaria venda de parte dos ativos, mas seria aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), segundo o Santander.

O banco pondera que uma consolidação no setor, no curto prazo, é improvável, devido às diferenças de avaliações entre os pares e à incerteza regulatória.

Acreditamos que um acordo com a Vitru ou Cogna, pelo preço certo, poderia gerar valor para os acionistas e poderia ser aprovado com algumas restrições. Em nossa visão, qualquer acordo exigiria alguns desinvestimentos no segmento de ensino à distância, mas a agência antitruste aprovaria”, destacam os analistas Caio Moscardini e Karolina Silva Correia, do Santander, em relatório.

Os analistas destacam que um possível acordo entre Yduqs e Vitru levaria à criação de uma companhia com controle sobre uma significativa fatia de mercado nacional no ensino à distância, o que poderia criar problemas com o Cade.

De acordo com dados do Ministério da Educação (MEC) de 2022, uma combinação da Vitru e da Yduqs levaria a uma fatia combinada do mercado nacional de EAD de 36%, que está acima do limite de 30% que tem sido usado pelas autoridades antitruste para determinar um mercado concentrado.

Os analistas observam que as empresas se complementam geograficamente, com a Yduqs mais forte no Sudeste e Nordeste, e a Vitrumais forte na região Sul.

Em relação a uma possível fusão entre Yduqs e Cogna, os analistas do Santander também destacam que essa combinação de negócios hoje tem chances de ser aprovada porque a participação de mercado no segmento de EAD das empresa atualmente é menor quando comparada a 2017, quando o Cade vetou a transação. Neste momento, os analistas acreditam que o negócio seria aprovado pelo Cade com alguns desinvestimentos.

O banco estima que a participação nacional combinada de mercado para Yduqs e Cogna no ensino a distância esteja agora em cerca de 29% em nível nacional. “Esse percentual está abaixo do limiar de concentração de 30% que o MEC geralmente aplica nesse tipo de análise. Observamos, no entanto, que existem cerca de 556 cidades em que a participação de mercado combinada está acima do limite de 30%”, destacam os analistas.

Na modalidade presencial, a participação de mercado combinada fica na casa dos 9% em nível nacional. A análise para o segmento presencial é feita, geralmente, considerando o município. “Em nossa análise, conseguimos encontrar apenas quatro cidades, nas quais a participação de mercado combinada está acima dos 30%. Em nossa opinião, isso aumenta a probabilidade de um acordo, especialmente considerando o pequeno impacto de qualquer desinvestimento do segmento presencial”, dizem Moscardini e Karolina.

Os municípios com alta concentração de participação de mercado são Campo Grande (MS), Imperatriz (MA), Macapá (AP) e São José (SC).

O relatório do Santander mostra ainda que a Ydqus tem uma fatia de mercado no segmento de cursos presenciais acima de 30% em 14 cidades diferentes. No entanto, a combinação com Cogna criaria problemas de concentração em apenas quatro cidades… leia mais em Valor Investe 07/10/2024