Ricardo Bellino explica a evolução dos dealmakers e qual o papel de um fechador de negócios moderno.

“Você não recebe o que merece, mas o que você negocia”. Minha história com o dealmaking começou cedo e foi marcada por desafios que, para muitos, pareciam insuperáveis. Quem conhece minha trajetória sabe que, aos 21 anos, tomei a decisão audaciosa de trazer a mega agência americana Elite Models para o Brasil, mesmo sem falar inglês e sem ter um tostão no bolso.

A ideia parecia absurda, mas foi essa ousadia que me levou a abandonar a faculdade de economia no Rio de Janeiro, me mudar para São Paulo, e apostar tudo nesse projeto. O resultado? Sucesso.

Tornei-me amigo e sócio de John Casablancas, fundador da Elite Models, e construí uma sólida parceria que revolucionou o mercado de moda e modelos no país, lançando nas passarelas internacionais nomes como Gisele Bündchen, Adriana Lima, Alessandra Ambrósio, entre outras.

Em seguida, trouxe para o Brasil a campanha das camisetas do câncer de mama, com o emblemático alvo no peito, que mobilizou mais de 14 milhões de brasileiras e ajudou a aumentar a conscientização sobre a prevenção da doença. Não parei por aí. Criei a primeira modelo virtual do mundo, a Webbie Tookay, que rapidamente se tornou um fenômeno global, chegando a estrelar uma campanha para a Nokia.

Talvez o maior teste para minhas habilidades como dealmaker tenha ocorrido aos 38 anos, quando tive a oportunidade de vender uma ideia para o bilionário americano Donald Trump. Reunião marcada e na hora que entrei na sala Trump me disse: “you have 3 minutes” (você tem três minutos)— tempo suficiente para que eu convencesse um dos homens mais influentes do mundo a apostar no meu projeto. A experiência foi um divisor de águas, me ensinando sobre a importância de estar sempre preparado para o improvável e de saber como capturar a atenção de alguém em um piscar de olhos.

Nos últimos 16 anos, concentrei meus esforços em uma iniciativa ainda mais audaciosa: a Escola da Vida, um projeto dedicado a ensinar lições que vão além dos muros das salas de aula e que prepara as pessoas para os desafios reais do mundo. Este foco reflete o que sempre acreditei ser o papel de um verdadeiro dealmaker: não apenas negociar transações, mas criar impacto e transformar realidades.

O termo “dealmaker” surgiu pela primeira vez em 1886, sendo utilizado para descrever uma pessoa habilidosa em intermediar acordos, geralmente nos campos de finanças, negócios ou direito. Desde então, o papel do dealmaker evoluiu consideravelmente, transformando-se em um símbolo de genialidade estratégica, persuasão e visão.

“Dealmaking já não é apenas sobre fechar contratos ou intermediar negociações — trata-se de moldar indústrias, redefinir dinâmicas de mercado e criar valor em larga escala.” — Ricardo Bellino

Com essa coluna semanal, “Deals & Dealmakers,” convido você a explorar esse fascinante universo de grandes transações, estratégias ousadas e das pessoas que mudam o mundo com suas negociações.

O que define um Dealmaker?

Tradicionalmente, um dealmaker era alguém que facilitava acordos entre partes, frequentemente nos bastidores. Em seu uso inicial, o termo aplicava-se principalmente a advogados ou financiadores que faziam introduções, aconselhavam em transações ou negociavam termos. Hoje, entretanto, um dealmaker é muito mais do que um intermediário. São visionários que conseguem enxergar oportunidades onde outros veem riscos, navegando estrategicamente nas complexidades das negociações para trazer sua visão à vida. Os dealmakers modernos possuem uma combinação única de características:

1. Visão Estratégica:

2. Habilidades de Negociação:

  • Embora o pensamento estratégico seja vital, um acordo não pode ser bem-sucedido sem a habilidade de negociação. O dealmaking envolve equilibrar os interesses de várias partes, frequentemente em situações de alta pressão. Os dealmakers eficazes sabem quando insistir, quando ceder e como criar cenários de ganhos mútuos.

3. Resiliência:

  • Nem todos os acordos têm sucesso, e muitos enfrentam obstáculos ao longo do caminho. Os dealmakers mais realizados possuem a determinação para superar contratempos, adaptar-se a circunstâncias mutáveis e continuar avançando em direção aos seus objetivos.

4. Rede de Contatos e Influência:

  • O poder de um dealmaker vai além de suas habilidades individuais; também está em suas conexões e influência. Construir e manter relacionamentos através de indústrias, culturas e geografias é crucial para identificar oportunidades e superar obstáculos.

De Wall Street ao Vale do Silício: O domínio dos Dealmakers.. Leia mais em Infomoney 14/10/2024