A Importância do ESG cresce no mercado financeiro em processos de Fusões e Aquisições
Em face da crescente compreensão e melhores métricas para aferição de resultados, o mercado financeiro tem se destacado entre os segmentos que mais consideram fatores ambientais, sociais e de governança (ESG) como ativos de valor em análises e processos de M&A. A avaliação é do executivo Caetano Fabrini, especialista em M&A e contenciosos societários, a partir da pesquisa 2024 ESG in M&A Trends Survey, realizada pela Deloitte.
Caetano destaca que 80% das empresas de private equity e 70% de serviços financeiros relataram já terem decidido não continuar uma aquisição potencial em decorrência de preocupação com o desempenho de ESG da companhia alvo. Em média, a ocorrência é 23% maior do que a observada há dois anos. Esse recente levantamento consultou 500 líderes de corporações com receitas superiores a US$500 milhões e fundos de private equity com, pelo menos, US$1 bilhão em ativos sob gestão. Além de companhias do mercado financeiro, a pesquisa abrangeu empresas ligadas a consumo; tecnologia, mídia e telecomunicações; ciências da vida e cuidados de saúde; e energia, recursos e industrial.
“Há quem acredite que o ESG foi uma corrida passageira para mostrar bons relatórios a investidores e que agora virou apenas um ativo intangível de valorização de marca. Ainda que alguns grupos tenham esvaziado essa temática, há um caminho oposto sendo trilhado por boa parcela das organizações”, comenta o executivo.
Segundo Caetano Fabrini, nas operações de M&A, os programas e cuidados baseados em boas práticas de sustentabilidade, gente e gestão e governança, vêm recebendo mais atenção no processo de avaliação das organizações em jogo, desde a oferta inicial, quando elas vão bidar, até os contratos finais.
“No Brasil, vemos claramente a chegada dessa tendência que está mais consolidada lá fora. Nos mercados mais maduros, como o americano e europeu, os líderes estão gradativamente mais conscientes do impacto dos princípios ESG em áreas como avaliações, gestão de portfólios e no ciclo de vida de fusões e aquisições”, aponta. Entre os fatores ligados a essa análise, Caetano lembra o dado de que 95% das empresas de serviços financeiros e 96% das empresas de private equity pesquisadas relataram que suas organizações ou portfólios observaram significativos ou moderados impactos operacionais decorrentes de mudanças climáticas.
Outro ponto que contribui para esse cenário é a evolução dos modos de aferição das práticas de ESG. Hoje as companhias têm buscado ampliar as ferramentas de mensuração das práticas de ESG, e respectivas efetividades das companhias-alvo que se busca adquirir. Nesse sentido, a pesquisa revelou ainda que mais da metade das organizações (57%) medem o ESG por meio de métricas bem definidas, um aumento de 39% em relação há dois anos. Além disso, 78% das empresas com métricas claras afirmam ter alta confiança na avaliação do perfil ESG de uma empresa-alvo, que será integrado ao seu próprio perfil. Da mesma forma, 75% das organizações que se consideram muito preparadas para discutir como seu perfil ESG pode agregar valor em uma transação relatam ter métricas definidas.
“Isso demonstra a crescente importância do ESG nas decisões de investimento, onde práticas inadequadas, pobres ou inexistentes podem ser um red flag definitivo, independentemente da atratividade e lucratividade da empresa”, finaliza. Autor Caetano Fabrini – e destaca ao assessorar operações de fusões e aquisições (M&As), reestruturações financeiras e questões societárias complexas e passagens por renomadas instituições financeiras.
Com informações da Ecomunica 31/10/2024

