Totvs contrata Itaú BBA para avaliar a compra da Linx
Depois de disputar a compra da Linx com a Stone em 2020 e ficar observando à distância o processo para revenda da companhia este ano, a Totvs resolveu voltar ao jogo. A empresa contratou o Itaú BBA para analisar a aquisição da empresa de software, apurou o Pipeline.
A Totvs conhece bem o alvo de aquisição. Dennis Herszkowicz, o atual CEO, trabalhou na Linx por 16 anos. A companhia perdeu a disputa no passado diante do cheque de R$ 6,7 bilhões que a Stone se dispôs a pagar – agora, executivos do setor estimam que uma operação só se viabilizaria por menos da metade disso. A Stone já aceitou que vai levar menos do que pagou mas pede cerca de 15 vezes o Ebitda, algo próximo de R$ 4,5 bi
A equipe de research do BBA considerou em relatório em outubro, uma avaliação entre R$ 2,1 bilhões e R$ 3,8 bilhões para viabilizar a venda pela Stone. A área de banco de investimento ainda não estava envolvida naquele momento.
O cálculo do Itaú BBA, na época, levou em conta o múltiplo descontado da Totvs, que, em outubro, estava negociando a 14,7 vezes o valor de mercado sobre o Ebit projetado para 2025, 44% abaixo do que seria seu valor justo algo em torno de 26 vezes nas contas do banco, considerando o múltiplo de players nos EUA. Aplicando o mesmo desconto de 44% que hoje a Totvs negocia, isso resultaria num múltiplo de 9 vezes o EV/EBIT, aponta o Itaú BBA, ou algo em torno de R$ 2,1 bilhões. O cálculo, contudo, não considera as potencias sinergias do negócio e melhora da rentabilidade.
O Goldman Sachs apontou, em relatório de outubro, que a compra poderia ajudar a Totvs a expandir seu portfólio de pequenas e médias empresas, já que a empresa fundada por Laércio Cosentino foca mais em clientes de maior porte.
A presença da Linx no varejo, principalmente em farmácias, postos de gasolina e no setor de moda, ajudaria a Totvs a a ganhar clientes nesses segmentos, já que tem um portfólio mais focado em revendedores, supermercados e eletrônicos. “Existem oportunidades significativas de vendas cruzadas, visto que a Totvs pode usar sua rede robusta de distribuição para comercializar as soluções da Linx. Além disso, a expertise da Linx pode expandir o alcance das soluções mais amplas de ERP e produtividade da Totvs”, apontou o Itaú BBA naquele relatório.
Como a taxa de crescimento da receita projetada para a Linx nos próximos três anos é menor que a da Linx, o Itaú BBA projeta que a combinação de Totvs e Linx traria um crescimento de 13% na receita bruta em 2025, com alta de 15% para a Totvs e de 3% para a Linx. Os analistas estimam uma margem bruta de 68,5% para a operação, além de uma margem Ebitda de 23%.
Já o Citi destacou que a Totvs tinha uma posição de caixa de R$ 2,2 bilhões no segundo trimestre, para uma dívida bruta de R$ 1,8 bilhão. Considerando o preço inicialmente previsto pela Stone para a Linx, de R$ 4,5 bilhões e um Ebitda projetado para 2024 de R$ 300 milhões, a alavancagem da Totvs aumentaria para 2,7 vezes, o que na avaliação do banco não é um número preocupante para uma empresa com bom acesso ao mercado acionário.
Além da Totvs, outras empresas e fundos avaliam o ativo, como o Mercado Livre, a empresa de software Constellation e o fundo GIC… saiba mais em Pipeline Valor 01/11/2024

