Batizada de Base Exchange, nova bolsa quer negociadores como acionistas
A nova bolsa de valores brasileira agora tem nome e logomarca, avançou em tecnologia e, em breve, pode ter novos sócios que garantam o volume de trading inicial. Batizada de Base Exchange, a companhia está em roadshow no Brasil e Estados Unidos, com assessoria financeira da Olimpia Partners e participação do acionista controlador, o Mubadala, para seu “liquidity partnership program”.
“É um private placement, em que parceiros estratégicos internacionais e brasileiros adquirem um percentual pequeno da companhia mas atrelado a um programa de liquidez. Em três anos, quanto mais volume aportar pela minha bolsa e com spreads mais acessíveis, ganham ainda warrant para conversão futura”, conta Cláudio Pracownik, CEO da Base, ao Pipeline. “Não é uma questão de dinheiro, mas de volume, de governança, de parceria de longo prazo.”
As reuniões já têm abordado o valuation e o plano de negócios da nova bolsa, mas a firma não revela ainda o percentual do capital societário que vai compor o programa. A ideia é que esse primeiro volume garantido atraia o fluxo de outros agentes de mercado, que não vão compor a base acionária.
Pracownik estava em reuniões nos Estados Unidos há 15 dias e já integra uma nova rodada de conversas por lá no início de dezembro. A companhia quer ter o indicativo de adesões até o início do ano que vem. A concorrente no país, hoje B3, também teve origem em uma sociedade entre os agentes de mercado, que detinham títulos patrimoniais da Bovespa e depois foram convertidos em ações.
A Base é um acrônimo para Brazilian Stock Exchange, que quer ser identificada como uma bolsa nacional e não como uma bolsa do Rio, onde fica sua sede, e também faz referência a solidez. “No futebol a gente diz que a base vem forte, a gente brinca com isso aqui também. A Base vem para jogar bem, com uma equipe de casa”, diz Pracownik.
A ATG, provedora de tecnologia de negociação, também foi rebatizada – deixando o estigma para trás dos tempos do fundador. Agora é Flowa, companhia que passa a ser a provedora de tecnologias da nova bolsa e é presidida também por Pracownik.
A bolsa já vai subir em seu site nesta semana as especificações de conexão, o que permite que players interessados possam começar testes de conectividade na plataforma ou entender as característica da operação, em que a transação é feita com papeis que não estão listados naquela bolsa. Em dezembro, a Base publica também as bases de conexão com a clearing.
“Vamos estar prontos tecnologicamente no final deste ano. O processo regulatório com Banco Central e CVM avançou bastante, com os órgãos bastante responsivos, e esperamos começar os testes com os dois reguladores no início do ano que vem”, diz o CEO. A regulação prevê um tempo mínimo de seis meses de testes, com simulações do mercado real em situações de estresse, rotina, e com corretoras e custodiastes conectados.
Para Pracownik, uma vantagem é ter a tecnologia em casa, o que torna mais ágil a resposta para ajustes em caso de demanda do BC ou CVM no período de testes… leia mais em Pipeline 11/11/2024

