Os juros em alta e o risco de crédito elevado no agronegócio não impediram que a SP Ventures, gestora de venture capital voltada a negócios ligados ao campo, concluísse a primeira captação de seu terceiro fundo para inovação no setor, e com um resultado melhor que o esperado. O fundo AgVentures III concluiu a rodada com US$ 22 milhões de uma ampla gama de investidores, de grandes corporações do setor, a family offices e investidores individuais.

A meta é realizar novas captações até atingir a meta de US$ 80 milhões. Segundo Francisco Jardim, sócio da SP Ventures, o montante levantado agora superou o esperado para esta primeira rodada, que era de US$ 20 milhões. O plano, diz, é realizar novas rodadas de captação a cada trimestre, até que o valor-alvo seja alcançado.

Atuaram nessa rodada como investidores-âncora a fabricante de máquinas AGCO, a produtora de agroquímicos FMC, o fundo de fundos alemão CHECK24, o braço de venture capital da fabricante de fertilizantes marroquina OCP e o fundo guatemalteco Fundea. Entre outros investidores estão o braço de venture capital da Basf, a Minerva e o grupo colombiano Bios, de proteína animal. Dentre os investidores individuais, há empreendedores que já receberam capital via SP Ventures, como Renato Girotto, da Brain, e Rafael Coelho, da A de Agro (atual Sette).

Jardim afirma que o resultado da rodada reflete a qualidade dos profissionais e o histórico de atuação da gestora, que tem outros dois fundos que investem em agtechs na América Latina, como a Agrolend, A de Agro, Promip, Pink Farms, além de já ter vendido negócios como a Brain para a Serasa Experian e a Bug para a Koppert.

De acordo com o empresário, a gestora vem tendo sucesso com as teses de investimento dos dois primeiros fundos, a exemplo das empresas de insumos biológicos — como Promip, Gênica e Bug. “Validamos a tese de [investimento em] biológicos e estamos qualificados para a segunda, terceira e quarta gerações de biológicos”, afirma.

A ideia é que o terceiro fundo foque empreendimentos de toda a América Latina. Jardim vê potencial tanto nas áreas em que os fundos anteriores já investem, como agfintechs, climatechs e educação no agronegócio, como em novas vertentes, como de rastreabilidade, seguro rural e finanças verdes. “Vemos um potencial enorme para as finanças climáticas”, ressalta.

Em sua avaliação, o PL dos bioinsumos “reduz a incerteza e facilita o acesso” dessas empresas ao crédito. Ele também comemora a sanção da lei do mercado regulado de carbono no Brasil, que segundo ele “vai gerar mais certeza e previsibilidade”, e a regulamentação específica para os fundos de investimento em agronegócio (Fiagros), que vai destravar “inovação em serviços financeiros” ao setor.

Um dos setores que, segundo ele, “com certeza” receberá investimentos do terceiro fundo é o de rastreabilidade. Com o avanço de acordos comerciais, como da União Europeia e Mercosul, e o aumento das exigências dos mercados consumidor e financeiro por informações sobre a origem dos produtos, … leia mais em GloboRural 19/12/2024