Poucos, mas mega rounds: startups latinas captaram mais de US$ 7 bi
Depois do tombo nos investimentos de venture capital iniciado dois anos atrás, o volume dos aportes voltou a subir na América Latina ao longo deste ano e superaram 2023, mostra um levantamento da Sling Hub em balanço prévio. Mas não é que teve dinheiro para todos os caixas: o número de rodadas caiu.
Até novembro, o volume de investimentos captados pelas startups na América Latina foi de US$ 7,44 bilhões, ainda longe do auge mas uma alta de 17% em relação aos US$ 6,39 bilhões registrados em todo o ano de 2023. Somente no Brasil, foi US$ 4,19 bilhões, mais da metade de toda a região. O levantamento inclui equity, debt e receivable funds.
Essa foi a primeira alta desde 2021, aponta o relatório da Sling Hub. Naquele ano, o volume captado foi recorde, de US$ 20,56 bilhões, quando os juros baixos, liquidez abundante e o apetite por investimentos em tecnologia turbinaram o setor em todo o mundo, inclusive na América Latina. Mas a virada no biênio seguinte, tanto pela alta dos juros quanto pelo retorno pós-pandemia, levou a uma queda brusca em fundraising. Em 2022, a captação foi de US$ 12,2 bilhões.
“O crescimento de 17% em 2024, mesmo sem os dados de dezembro, mostra uma recuperação significativa, reforçando a resiliência do mercado”, avalia João Ventura, CEO da Sling Hub, empresa de dados.
Apesar do aumento no volume, o número de rodadas caiu 25% de um ano para o outro, de 1,03 mil cheques nos 12 meses de 2023 para 773 até novembro de 2024. A média por operação era de US$ 6,2 milhões no ano passado e, agora, subiu para US$ 9,6 milhões.
O crescimento no valor dos cheques se refletiu no aumento dos “mega rounds”, quando uma rodada supera a casa dos US$ 100 milhões – na América Latina, foram 21 desse tipo neste ano. Os campeões foram as brasileiras Origo Energia (US$ 400 milhões), CloudWalk (US$ 307,9 milhões em fundos de recebíveis), a fintech argentina Ualá (US$ 300 milhões), a fintech brasileira Asaas (US$ 150 milhões) e a mexicana Clip (US$ 100 milhões). O setor dominante foi o financeiro, que levantou US$ 3,91 bilhões (53% do total), alta anual de 19% para as fintechs.
O relatório também já deixa evidente o crescimento das empresas de inteligência artificial (IA) no mercado da América Latina. O setor captou US$ 1,14 bilhão do início do ano até novembro, representando 15% do total investido no ano. Nas startups “AI-enabled” (que usam IA como componente de apoio) e as “AI-first” (com produtos dependentes de IA), os cheques somaram US$ 825 milhões e US$ 319 milhões, respectivamente. As brasileiras CloudWalk, Tractian (US$ 120 milhões) e CRMBonus (US$ 77 milhões) foram as líderes nessa categoria…. leia mais em Pipeline 20/12/2024

