Em 2024, os fundos de private equity conseguiram desinvestir apenas metade do valor do que normalmente vendem, o terceiro ano consecutivo em que a distribuição aos investidores ficou aquém das expectativas devido a uma escassez de negócios.

As firmas de buyout geralmente vendem 20% de suas carteiras ao longo de um ano, mas executivos do setor estimam que a distribuição de pagamentos tenha ficado em cerca de 10%. A Cambridge Associates, consultoria que trabalha com grandes instituições em seus investimentos em private equity, estima que as devoluções globais no segmento nos últimos três anos tenham somado US$ 400 bilhões a menos do que a média histórica.

Os dados ressaltam a pressão crescente sobre as gestoras para que encontrem meios de retornar dinheiro aos seus investidores, inclusive saindo de mais investimentos no próximo ano. As firmas vêm tendo dificuldades para fechar negócios a preços lucrativos desde o começo de 2022, quando o aumento das taxas de juros levou a uma disparada dos custos de financiamento e a uma queda nas avaliações de preço de companhias.

Gestores, banqueiros de investimento e consultores esperam que a atividade de fusões e aquisições acelere em 2025, podendo ajudar o setor a lidar com o que a consultoria Bain&Co chamou de “um grande acúmulo” de US$ 3 trilhões em negócios envelhecendo que precisam ser vendidos nos próximos anos, dados os prazos dos fundos.

Várias grandes ofertas públicas em 2024, incluindo as da gigante do transporte de alimentos Lineage Logistics, da especialista em equipamentos de aviação Standard Aero e a do grupo de dermatologia Galderma, deram aos executivos de private equity confiança para abrir o capital de empresas, com a eleição de Donald Trump contribuindo para o entusiasmo de Wall Street.

Mas Andrea Auerbach, chefe global de investimentos privados da Cambridge Associates, alerta que os problemas do setor poderão levar anos para serem resolvidos. “Há uma expectativa de que as engrenagens do mercado de saída começarão a girar. Mas isso não termina em um ano. Levará alguns anos”, diz Auerbach.

Enquanto isso, as firmas de private equity vêm usando novas táticas para retornar dinheiro aos investidores. Elas têm feito uso crescente dos chamados fundos de continuação – em que um fundo vende uma participação em um ou mais portfólio de empresas para outro fundo que a firma administra – para arquitetar saídas. A Jefferies prevê que os negócios de fundos de continuação somaram US$ 58 bilhões em 2024, representando um recorde de 14% de todas as saídas de private equity.

Tais fundos responderam por apenas 5% de todas as saídas no aquecido ano de 2021, segundo a Jefferies. Mas alguns investidores de private equity estão céticos com a capacidade do setor de vender ativos a preços próximos das atuais avaliações dos fundos. “Há uma enorme quantidade de capital que foi investido sob suposições que não são mais válidas”, disse um grande investidor do setor ao Financial Times.

Eles alertam que um recorde de mais de US$ 1 trilhão em aquisições foi atingido em 2021, pouco antes de as taxas de juros subirem, e muitos negócios são contabilizados nos livros das firmas com avaliações otimistas demais.

Recentemente, o Goldman Sachs observou em um relatório que as vendas de ativos de private equity, que historicamente eram feitas com um ágio de pelo menos 10% em relação às avaliações internas dos fundos, nos últimos anos foram feitos com descontos de 10% a 15%.

“O private equity em geral ainda está supervalorizado, o que está levando a essa situação em que os ativos ainda estão travados”, diz Michael Brandmeyer no relatório do Goldman Sachs… leia mais em Pipeline 02/01/2025