Política monetária do Brasil reduzirá as margens e atrasará o crescimento de empresas e bancos
O aumento das taxas de juros do Brasil, a inflação persistente e a depreciação cambial maior pressionarão o fluxo de caixa e reduzirão a rentabilidade das empresas em 2025, limitando o espaço fiscal para que as empresas cumpram suas obrigações financeiras.
» A taxa básica de juros Selic elevada em 2025 reduzirá o apetite pelo risco e a demanda por crédito dos bancos brasileiros.
As originações de empréstimos mais arriscados diminuirão em 2025 em consequência da pressão inflacionária, que sobrecarregará a capacidade de reembolso dos tomadores e agravará os níveis já elevados de endividamento das famílias. Também surgem riscos para métricas de rentabilidade futura, mas os efeitos de taxas de juros mais altas nas margens líquidas de juros (NIM, em inglês) dependem da carteira de empréstimos de cada banco e de sua capacidade de reavaliar os empréstimos em resposta ao aumento dos custos de captação.

» A desaceleração do crescimento do produto interno bruto (PIB), a alta da inflação e a depreciação cambial no Brasil diminuirão o consumo das famílias em 2025 em comparação com os níveis de 2024.
A forte depreciação da taxa de câmbio e as expectativas de inflação mais alta, junto com as perspectivas de crescimento menor do PIB, já estão impactando o sentimento do consumidor, que teve queda acentuada em dezembro de 2024. As taxas de juros mais altas também afetarão o crédito ao consumo, o que resultará em um aumento dos empréstimos em atraso, e o financiamento imobiliário já parece ter diminuído.
» Entre as empresas não financeiras com rating, o aumento do câmbio terá implicações de crédito maiores para empresas que dependem de um real forte para manter seu fluxo de caixa, além de terem grande parte de sua dívida denominada em dólares dos EUA.
Os setores com alta alavancagem, como o imobiliário, serviços públicos e telecomunicações, são particularmente vulneráveis, porque geralmente dependem de financiamento baseado em dívida local significativo para manter suas operações e gastos de capital. As empresas com risco maior de serem impactadas por taxas de juros mais altas, um real mais fraco e aumento da inflação incluem a companhia aérea Azul (Caa2 negativa), a produtora de açúcar e etanol Usina Coruripe Açúcar e Álcool (B3 negativa) e o grupo de serviços petrolíferos Oceânica Engenharia e Consultoria (B2 estável).
» Em geral, as empresas brasileiras de infraestrutura têm alguma exposição ao aumento das taxas de juros, mas vários fatores mantêm o risco de crédito baixo para a maior parte de delas.
Essas empresas têm apenas um risco limitado em relação a um enfraquecimento do real, porque têm hedges naturais, com receita e dívida denominadas em dólares, ou usam mecanismos de hedge para aliviar o risco cambial.
Este relatório é uma tradução de Emerging Markets – Latin America & Caribbean:Brazil’s monetary policy will tighten margins and delay growth for companies and banks publicado em 06 Fevereiro 2025. Moody’s Ratings Cross-Sector Leia mais em Moody’s Ratings 06/02/2025

