Em meio a incertezas apresentadas pela autoridade monetária, maioria dos investidores acredita em uma alta de 0,5 ponto percentual na próxima reunião, segundo a ferramenta Termômetro do Copom.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central afirmou que, diante do cenário de incertezas, a autoridade monetária optou por indicar apenas a direção do próximo movimento da Selic. Na semana passada, em uma decisão unânime, o Copom subiu a taxa básica de juros para 14,25% ao ano. Na ocasião, o BC sinalizou um aperto de menor magnitude na próxima reunião, que acontecerá em maio.

Selic não parou de subir

Na ata de sua última reunião, divulgada na manhã desta terça-feira (25), o comitê afirmou que “em função do cenário adverso para dinâmica da inflação, era apropriado indicar que o ciclo (de altas da Selic) não está encerrado” e que “o Comitê julgou apropriado comunicar que o próximo movimento seria de menor magnitude”.

De acordo com a ferramenta Termômetro do Copom, do Valor Investe, com base em contratos de opções negociados na B3, 69% do investidores esperam uma alta de 0,5 ponto percentual na reunião do dia 7 de maio, o que levaria a Selic para 14,75% ao ano. Já 15% acreditam em um aumento de 0,75 ponto percentual e 10% apostam em uma alta mais branda, de 0,25 ponto percentual.

Alguns dados mostram certa melhora…

No documento, o Comitê afirmou ainda que os dados dos últimos meses, como indicadores de serviços, indústria e população ocupada “têm indicado moderação de crescimento”. E, como bem se sabe, essa moderação pode se refletir em menos pressões inflacionárias, justamente o que o BC tem tentado conter com o aumento sucessivo da Selic.

No documento, o BC afirmou que a desaceleração “é parte do processo de transmissão de política monetária e elemento necessário para a convergência da inflação”.

Mas inflação ainda preocupa

É válido lembrar, no entanto, que alguns pontos seguem preocupando. O próprio Banco Central afirmou, na ata, que as expectativas de inflação elevaram-se novamente em todos os prazos, o que indica “desancoragem adicional” e “torna o cenário de inflação mais adverso”. Em fevereiro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA, a inflação “oficial” do país) acelerou e teve a maior alta para o mês desde 2003. Em 12 meses, o índice ficou em 5,06%, bem acima do limite de 4,5% considerado aceitável pelo Banco Central.

“A desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do comitê”, afirmou o BC na nota. “O cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos e exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, complementou o BC.

Para quem não sabe, as “expectativas desancoradas” são as projeções da inflação distantes da meta perseguida pela autoridade monetária no chamado “horizonte relevante” da política monetária. Neste caso, 2025 em diante. Nos próximos anos, a meta de inflação é de 3% ao ano, mas segundo o que mostra o Boletim Focus, as expectativas do mercado estão bem acima disso.

Essas expectativas importam por terem certo poder de autorrealização. Ao esperarem inflação mais alta lá na frente, produtores acabam remarcando preços para cima para se proteger da alta de custos. Já consumidores antecipam intenções de compra.

E, na prática, essa inflação esperada mais alta pode acabar se materializando. Nesse cenário, se o BC afrouxa a política de juros, corre o risco de passar a impressão de inflação ainda mais descontrolada no futuro.

Na ata, o Comitê afirmou que “acompanhará o ritmo da atividade econômica, o repasse do câmbio para a inflação e as expectativas de inflação”.

O cenário externo também preocupa…

Na ata, o Banco Central ainda afirmou ainda que o cenário externo se manteve desafiador e que houve “um aumento da incerteza e deterioração de crescimento global em relação ao Copom anterior”.

Segundo a autoridade monetária, o cenário-base continua sendo de desaceleração gradual e ordenada da economia americana.

Por fim, o BC disse ainda que “além das incertezas inerentes à conjuntura econômica, há dúvidas sobre a condução da política econômica em diversas dimensões”… leia mais em Valor Invest 25/03/2025