Incertezas com tarifas de Trump estão no radar do mercado hoje
Nesta quarta-feira (26), mercado financeiro continua acompanhando a novela das tarifas impostas por Donald Trump com cautela. O alardeado plano do presidente dos Estados Unidos de impor tarifas recíprocas provavelmente se concentrará em um número limitado de economias com barreiras não tarifárias e superávits comerciais grandes, como Canadá, Japão, México e União Europeia, mas existem incertezas no radar.
Trump já havia afirmado que as tarifas a serem anunciadas em 2 de abril se aplicariam a todos os parceiros comerciais dos EUA. No entanto, na segunda-feira (24), o presidente afirmou a jornalistas que “pode dar uma folga a montes de países”. Mercados com os quais os Estados Unidos têm superávits comerciais e um comércio pequeno, como os países africanos, podem ser poupados.
As tarifas provavelmente não param por aí. Na segunda-feira, Trump também disse que tarifas direcionadas para automóveis e outros produtos seriam anunciadas “nos próximos dias”. A Bloomberg e o “Wall Street Journal” tinham noticiado antes que tarifas sobre setores específicos, como os de automóveis e semicondutores, podiam não ser anunciadas em 2 de abril.
Os temores com as políticas do chefe americano andam fazendo os gestores de recursos reduzirem a sua exposição às bolsas americanas. Uma intensa turbulência está sendo provocada pelos planos erráticos do presidente e pelo surgimento da startup de inteligência artificial chinesa DeepSeek. O indicador de referência do mercado de ações dos EUA, o S&P 500, tem um prejuízo de 1,8% no acumulado do ano, com o setor de tecnologia recuando 7,7%.
Com as incertezas sobre a política tarifária dos Estados Unidos e a economia americana, os investidores devem acompanhar as afirmações dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em eventos em buscas de indícios sobre os juros no país. Nesta quarta-feira, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, participa de evento às 11h (de Brasília). Já o presidente do Fed de Saint Louis, Alberto Musalem, participa de evento às 11h10 (de Brasília).
A agenda no Brasil é mais esvaziada. As atenções estão concentradas nas medidas do governo para estimular a economia com o crédito, que aumentaram os prêmios de risco pelo segundo dia consecutivo ontem.
Ainda, os investidores seguem repercutindo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de ontem, em tom mais duro. A autoridade buscou reforçar que o ciclo de alta de juros não terminou. A ata foi bem recebida e não mudou a expectativa de que o ciclo de alta de juros seguirá até junho e que a Selic ficará em cerca de 15%, nos maiores níveis desde 2006.
Os mercados ainda acreditam que Trump será mais flexível, mas um alerta do Goldman Sachs indica que as tarifas recíprocas tendem para uma surpresa negativa, com uma alíquota inicial que pode chegar perto de 20%. Enquanto o suspense de … leia mais em Valor Investe 26/03/2025

