A Orizon, companhia de gestão de resíduos e produção de biogás, anunciou uma oferta de ações que vai marcar a entrada da gestora EB Capital em seu bloco de controle, capitalizando a companhia para novas aquisições.

A firma de Eduardo Sirotsky Melzer e Marcelo Claure vai subscrever até R$ 275 milhões em ações na oferta, com bônus de subscrição que permitirão à gestora dobrar de posição na Orizon em dois anos.

O investimento é feito por meio de uma nova vertical da EB, de Crédito e Operações Estruturadas, que trouxe como sócios os ex-HSI André Chaves e Júlio Guerra. A vertical levantou um fundo de R$ 2,6 bilhões e esse será seu primeiro cheque.

O aporte na Orizon considera a totalidade de 5,7 milhões de ações da oferta base a R$ 48,20, preço máximo acordado com a EB – o que representa um prêmio sobre tela, considerando que o papel fechou na terça a R$ 48,11. A oferta, conforme demanda de outros investidores, pode ser acrescida de 7,47 milhões de ações, também com bônus de subscrição, chegando a até R$ 640 milhões em volume total.

A EB e os atuais controladores da Orizon terão um acordo de acionistas, que garante uma cadeira no conselho para a gestora – que será ocupado por Duda Melzer -, uma cadeira em comitês de assessoramento e poder de veto em algumas matérias, como mudança do patamar de alavancagem, reorganização societária e aumento de capital.

A Orizon fez IPO em fevereiro de 2021, com a ação a R$ 22. Na terça-feira, o papel fechou a R$ 48, 11 – uma das exceções de desempenho entre as companhias listadas na última janela de ofertas. Desde a listagem, a Orizon mantém uma taxa média de crescimento anual (CAGR) de 30%.

“Nunca pegamos um mercado de ações com céu azul, mas a companhia vem entregando valor e agora viabiliza com a EB uma oferta de ações próxima ao seu all time high na bolsa, um momento escolhido a dedo”, disse o CEO Milton Pilão ao Pipeline. “A gente segue com o plano de crescimento orgânico, mas vemos uma oportunidade de dar outra pernada de expansão com movimento inorgânico, comprando mais aterros”.

A Orizon tem atualmente 17 aterros, processando nove milhões de toneladas de lixo – plenamente operacionais, podem chegar a 11 milhões. Com o follow-on, considerando a oferta base e parte do hot issue, a companhia quer adicionar de três a quatro milhões de toneladas de processamento em capacidade – o que corresponde à metade do que a Orizon tem hoje no pipeline de aquisições.

“O Brasil é talvez o último dos grandes mercados do mundo onde a consolidação em waste management ainda não tinha acontecido. A Orizon quer ser o grande player no país e, futuramente, América Latina”, diz Pilão.

As conversas para essa potencial operação com a EB tiveram início em setembro do ano passado e engataram em janeiro deste ano. Mas a transação é também simbólica, de … leia mais em Pipeline 30/04/2025