Mercado está subestimando impacto das tarifas de Trump, diz Barclays
Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha suavizado o tom em relação à política tarifária adotada desde o “Dia da Libertação”, em 2 de abril, as tarifas ainda pairam como uma ameaça e os mercados estão subestimando o risco que elas representam para a economia americana. O alerta é feito pelo chefe de pesquisa global do Barclays, Ajay Rajadhyaksha, e pelo economista-chefe para EUA do banco, Marc Giannoni, ao notarem que as bolsas americanas devolveram quase toda a queda vista após o “tarifaço”. Para eles, é muito provável que haja uma recessão no segundo semestre e os ativos de risco americanos estão longe de refletir esse cenário.
No momento, o Barclays projeta uma contração de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA neste ano. A expectativa do banco, portanto, é de que haja uma recessão leve na economia americana no segundo semestre. No entanto, se o embargo comercial entre EUA e China persistir, “essa esperança vai desaparecer”, advertem Rajadhyaksha e Giannoni em relatório enviado a clientes.
O banco projeta que a tarifa média aplicada pelos EUA sobre os parceiros comerciais deve cair e se estabilizar em torno de 15%. No entanto, os economistas avaliam que essa estimativa “ainda parece otimista”. Para eles, mesmo que o governo americano retire as tarifas de 145% sobre produtos chineses, outras taxas ainda devem permanecer em vigor, como as relacionadas à crise do fentanil e as que incidem sobre automóveis e autopeças, aço e alumínio, além da tarifa universal de 10%, que, na prática, está sendo aplicada para todos os países.
A guerra comercial entre EUA e China de 2018 sugere um repasse entre 50% e 60% das tarifas ao consumidor final. Anos atrás, o fortalecimento do dólar compensou parcialmente os efeitos, mas, desta vez, o alívio no lado cambial está ausente, o que indica que os consumidores americanos devem sentir ainda mais o impacto tarifário. Nos cálculos do Barclays, ao supor que a regra dos 60% se mantenha e que a tarifa média aumente 15 pontos percentuais em 2025, os consumidores irão pagar cerca de US$ 480 bilhões a mais em 12 meses — o que representa uma redução de 1,5% no crescimento real….. saiba mais em Valor Econômico 01/05/2025

