Os juros futuros encerraram o pregão desta sexta-feira em alta ao longo da extensão da curva, em uma sessão marcada pelo avanço nos rendimentos dos Treasuries após os dados do “payroll” acima das estimativas de consenso nos Estados Unidos. Com os riscos menores de uma desaceleração global mais acentuada, agentes migraram apostas para uma alta de 0,5 p.p na Selic no Copom de quarta-feira, abandonando posições que esperavam uma abordagem mais “dovish” do BC de subir os juros em apenas 0,25 ponto.

No fim do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 oscilou de 14,66% do ajuste anterior para 14,675%; a do DI para janeiro de 2027 subiu de 13,875% para 13,955%; a do DI para janeiro de 2029 saltou de 13,52% para 13,605%; e a do DI para janeiro de 2031 passou de 13,78% para 13,80%.

A sessão desta sexta-feira foi orientada pela repercussão provocada pela divulgação dos dados de emprego nos Estados Unidos. O país criou 177 mil vagas de empregos em abril, informou o Departamento do Trabalho, acima dos 133 mil esperados por economistas consultados pelo “The Wall Street Journal”. Já a taxa de desemprego manteve-se estável em 4,2%, em linha com o esperado, enquanto o salário médio por hora avançou 3,8%, abaixo do consenso de 3,9%. A taxa de participação da força de trabalho subiu para 66,6% de 66,5% em março.

Após uma bateria de dados que indicavam um maior pessimismo com a economia americana, os números de emprego serviram para afastar, ainda que temporariamente, o temor de que o país esteja caminhando para uma recessão no curto prazo. Neste sentido, os agentes buscaram reduzir as apostas em um corte de juros pelo Federal Reserve, com algumas instituições financeiras postergando suas expectativas para o início do afrouxamento monetário no país, a exemplo do Barclays.

Assim, no fim do dia, o rendimento da T-note de 2 anos saltou de 3,709% para 3,832%, enquanto a taxa da T-note de 10 anos avançou de 4,221% para 4,314%.

O ambiente externo de menor aversão a risco e os sinais de que a desaceleração no mercado de trabalho americano não parece iminente contribuíram também para um ajuste de posições no Brasil. Após agentes terem flertado com a ideia de o Copom subir os juros em apenas 0,25 ponto na reunião da quarta-feira, boa parte destas apostas foram desfeitas após os dados do payroll.

Segundo as opções digitais de Copom, a probabilidade de uma alta de 0,5 ponto na reunião da próxima semana subiu de 68% para 76%, ao passo que a probabilidade de uma elevação de 0,25 ponto recuou de 32,3% para 24%... saiba mais em Valor Econômico 02/05/2025