A gestora Latache, que tem 10% da Oncoclínicas, está pedindo uma AGE para suspender o exercício de direitos da Centaurus Capital na companhia. A Latache argumenta que a Centaurus descumpriu a cláusula de poison pill prevista no estatuto social da empresa, que estabelece que todo acionista que atingir participação acionária acima de 15% tem que fazer uma Oferta Pública de Aquisição (OPA).

A Centaurus surgiu a partir de uma reorganização do fundo Josephina I gerido pelo Goldman Sachs, em novembro, no qual a Centaurus era investidor. Nessa reorganização, a posição da Centaurus na Oncoclínicas foi separada. O banco ficou com 21% do capital por meio dos veículos Josephina I e Josephina II e a Centaurus com 16%. Em março, o Goldman vendeu quase 16% de participação na Oncoclínicas detida pelo Josephina I para a Centaurus, que ampliou sua participação para 32%.

O Goldman alega que a Centaurus já era acionista da companhia antes do IPO por meio de fundo gerido por entidade afiliada ao banco, que na época, tinha uma participação indireta na empresa de 32% e que, portanto, não houve a entrada de acionista novo, não existindo obrigação da realização de uma OPA. O banco afirma que o diretor de investimento do hedge fund, Allen Gibson, já compunha inclusive o conselho de administração da Oncoclínicas antes do IPO.

Segundo o banco, representado pelo Mattos Filho, cabe à CVM e ao Tribunal Arbitral avaliar se houve descumprimento da realização da OPA e, só depois disso, seria possível chamar a assembleia. “É ilegal, abusiva e ensejará responsabilização de quem vier a convocá-la”, apontam os advogados.

A Latache, no entanto, entende que a participação da Centaurus na Oncoclínicas não estava pública na época do IPO e entrou na Justiça pedindo que o Goldman apresentasse os documentos que comprovem essa participação. A ação aguarda decisão na segunda instância.

A gestora brasileira ainda notificou a CVM pedindo que o órgão se pronuncie sobre a obrigatoriedade ou não da realização de uma OPA pela Centaurus e a autoridade deu um prazo até 22 de maio para o Goldman enviar os documentos.

Tendo sucesso na sua iniciativa, a Latache visa, ao final do processo, trocar os executivos da administração ligados ao Goldman, após eventual nova eleição do conselho de administração, apurou o Pipeline. Goldman Sachs e Centaurus detém hoje uma participação de 36,8% da companhia… leia mais em Pipeline 13/05/2025