Clima está mais favorável para o Brasil, avalia Flavio Souza, CEO do Itaú BBA
Com nota de risco rebaixada pela Moody’s pela primeira vez em mais de um século, os Estados Unidos vão começar a deixar espaço na carteira de investidores globais para outros mercados – e o Brasil pode ser um eles.
A primeira sinalização veio do aumento de volatilidade, mas ainda não tinha se traduzido necessariamente em fluxo. Na Brazil Week, semana que reúne bancos e investidores em Nova York e se encerrou na sexta-feira, os gestores já mostravam uma melhora no interesse, surpreendendo os brasileiros. Com a revisão da agência ao final de sexta-feira, esse dinheiro deve de fato começar a se deslocar.
“O clima estava mais favorável do que a gente encontrou no ano passado e a principal mudança, sem dúvida nenhuma, está relacionada aos Estados Unidos. O cenário com o governo Trump está provocando uma série de reposicionamentos, ações e reações que podem movimentar muito o mercado”, avalia Flavio Souza, CEO do Itaú BBA, que reuniu 144 empresas e 500 investidores globais em sua 18ª conferência na Big Apple.
“Os investidores globais estão de alguma maneira instigados, quase de uma maneira mandatória, a repensar a alocação dos seus portfólios. Nesse cenário, o Brasil é uma opção. Não vamos entender que o jogo está ganho, pelo contrário, mas é uma oportunidade da gente capturar uma parte desse fluxo que parece que deve ser rebalanceado ao longo do ano”, disse o executivo, em entrevista antes do anúncio da Moody’s.
Souza destaca que o cenário doméstico brasileiro traz uma série de desafios que precisam ser endereçados, como os juros bastante restritivos – “necessário, dado o patamar de inflação, mas naturalmente não o desejável para um ambiente de negócios.” Outro aspecto é a política fiscal. “A postura, a mensagem que a gente passa em relação ao compromisso com esse tema, poderia trazer uma mudança mais sustentável do ponto de vista de atração de fluxo”, complementa.
O interesse principal desses investidores internacionais deve ser nos setores que já vêm liderando a carteira do banco. Em 12 meses, o Itaú BBA passou de um portfólio de R$ 500 bilhões para R$ 600 bilhões e vê agronegócio, infraestrutura e energia como os principais vetores de negócios para o ano.
“O agro, sem dúvida, foi o setor com o maior crescimento, da ordem de 25%. Só esse ano nós vamos adicionar mais 100 pessoas na nossa operação do setor e já temos um portfólio de R$ 120 bilhões”, diz Souza. “Infraestrutura e energia também têm um potencial muito interessante e acabamos de criar uma vertical específica para isso.”
Nas rodadas de conversas durante a conferência e em outros eventos da Brazil Week, a corrida eleitoral de 2026 também ganhou espaço. Para Souza, é natural que o investidor com perfil de curto prazo, que busca oportunidades de trading, antecipe o tema. Ou aqueles de longo prazo que consideram que um desfecho das urnas poderia determinar seus planos de negócios.
“Mas a velocidade de entrada é a mesma velocidade de saída quando estamos falando de um evento específico. Para o banco, que completou 100 anos no ano passado, o olhar é de longo prazo”, diz o CEO do BBA… leia mais em Pipeline 18/05/2025

