Juros elevados e tensões geopolíticas impõem novos desafios às empresas não-financeiras nos próximos anos, aponta Moody’s Local
A Moody’s Local alerta que o cenário de juros elevados no Brasil e os riscos geopolíticos globais representarão desafios significativos para as empresas não-financeiras nos próximos anos. Empresas com alta alavancagem financeira ou dependência de financiamento enfrentarão maior pressão sobre sua qualidade de crédito, especialmente em setores intensivos em capital como logística e locação de veículos.
A elevação do custo de capital compromete a capacidade de investimento e afeta negativamente a demanda em setores sensíveis à atividade econômica, como varejo e incorporação imobiliária. Além disso, o acesso ao mercado de crédito pode ser impactado, pressionando ainda mais a geração de caixa operacional das companhias.
Por outro lado, setores como a indústria farmacêutica demonstram maior resiliência, sustentados por demanda inelástica e estrutura de custo eficiente. A robustez do perfil de crédito e a capacidade de repasse de custos aos consumidores serão fatores cruciais para a superação do atual ciclo econômico.
Empresas com forte dependência do mercado externo, especialmente aquelas voltadas para China e Estados Unidos – principais destinos das exportações brasileiras – estão mais expostas aos riscos geopolíticos. Setores como siderurgia, mineração, celulose e proteína devem se preparar para enfrentar desafios adicionais. A demanda global por energia, também afetada por conflitos geopolíticos, impacta diretamente empresas de exploração e produção de petróleo.

A depreciação do real influencia a estrutura de receita e custo das empresas, beneficiando exportadores e prejudicando setores com custos dolarizados voltados ao mercado interno. Exportadoras de proteína animal, mineração, celulose e empresas de petróleo e gás se beneficiam da desvalorização cambial. Em contrapartida, setores como telecomunicações, alimentos e bebidas, biodiesel, farmacêutico, hospitais e incorporação imobiliária podem sofrer impactos negativos. A gestão de proteção cambial dos ativos e passivos torna-se ainda mais relevante nesse contexto.
Adicionalmente, pressões inflacionárias aumentam as incertezas regulatórias, especialmente em relação à política de preços de combustíveis no Brasil. Setores como biodiesel e petróleo e gás são particularmente afetados por mudanças frequentes em políticas de preços, tributação e incentivos fiscais. Empresas produtoras de biodiesel enfrentam desafios com alterações no percentual de mistura obrigatória ao diesel, o que compromete a diluição de custos e pressiona margens operacionais.
Por fim, a incerteza em torno da reforma tributária e seu longo período de transição representa mais um desafio para as empresas brasileiras. Aquelas mais expostas a riscos regulatórios devem adotar uma postura proativa, considerando os potenciais impactos em suas estratégias de alocação e estrutura de capital.

Obs.: A pesquisa e os comentários elaborados pela Moody’s Local, a agência de classificação de crédito doméstica presente na América Latina, não refletem as opiniões da Moody’s Ratings, a agência de classificação de crédito global. Ambas são entidades e unidades separadas da Moody’s Corporation. Para evitar confusão, por favor, use o nome completo da empresa “Moody’s Local” ao citar opiniões da Moody’s Local.
Com informações da Moody’s 28/05/2025

