Travelex sai da Frente, que reforça o Pix internacional com chilena Magma
O Grupo Frente, que opera transações de câmbio e pagamentos internacionais, acaba de concluir a captação de US$ 5,5 milhões (R$ 31,6 milhões) junto à gestora de venture capital chilena, focada em América Latina, Magma Partners – o primeiro dela em uma fintech no Brasil –, que investiu em unicórnios como a brasileira Frete.com e equatoriana Kushki.
“O Brasil continua sendo um dos países mais promissores da América Latina e a Frente se destaca como uma das instituições financeiras melhor preparadas para capturar oportunidades no mercado de pagamentos cross border”, afirma Nathan Lustig, sócio da Magma.
A rodada série A aumentou em cinco vezes o valuation da Frente. Os recursos captados na rodada serão usados para financiar a expansão internacional, principalmente da Comm.Pix, solução de pix internacional para brasileiros no exterior.
“A gente já tinha atingido o breakeven e buscava um player que tivesse esse know-how em pagamentos na América Latina para escalar nossa operação internacional e a Magma atendeu nossas expectativas”, disse Ricardo Baraçal, cofundador e sócio-diretor da Frente.
Além do Brasil, a companhia já tem atuação nos Estados Unidos, onde tem uma instituição de pagamento – a Frente USA –, México, Portugal, Paraguai, Argentina, Chile, Itália, Emirados Árabes e Espanha.
Fundado em 2019, o grupo Frente oferece soluções de câmbio focadas no mercado B2B através de uma plataforma digital white label, que fornece ferramentas para os correspondentes cambiais, que vão desde pagamentos internacionais à transferência de recursos para pessoas físicas.
O grupo é composto pelas empresas Frente Corretora, FrenteTech, Frente USA, Simple e Comm.Pix e tem parceiros estratégicos como PicPay, MoneyGram, Smiles e Livelo. Em 2022, o grupo internacional Travelex comprou uma fatia de 10% na Frente, que está sendo recomprada agora pelos sócios-fundadores que incluem, além de Baraçal (ex-XP), Daniela Marchiori (ex-Safra) e Altino Pavan (da área de tecnologia).
No ano passado, a Frente movimentou mais de US$ 2 bilhões em transações de câmbio, aumento de 25 vezes em relação aos US$ 80 milhões de 2021, chegando a ocupar o segundo lugar no ranking de câmbio do Banco Central. Esse volume foi impulsionado, em grande parte, pelas transações para as bets internacionais.
Com aregulação das bets no ano passado, que passaram a operar no Brasil, o volume transacionado caiu, mas não houve recuo no faturamento, já que a empresa tem se voltado mais para o segmento B2B, segundo Baraçal.
“Continuamos atendendo as bets principalmente na remessa de lucro, que acontece, em geral, duas vezes ao ano”, diz Marchiori. O grupo pretende dobrar o faturamento até 2026 em relação aos US$ 50 milhões de 2024.
Baraçal acredita que, apesar do aumento da alíquota de IOF para remessas, de 1,10% para 3,50%, o pagamento via Pix internacional continua vantajoso uma vez que oferece um spread na taxa de câmbio menor que outras modalidades, como a de cartão de crédito, além da maior facilidade de não ter que precisar fiar recarregando um cartão pré-pago.
“O pagamento via Pix internacional oferece margens mais interessantes para o cliente final e para os donos dos estabelecimentos comerciais já que não envolve a cobrança de taxas pelas bandeiras [dos cartões]”, disse Baraçal. Além disso, a Frente tem acesso a funding mais barato, já que tem operação nos Estados Unidos, o que permite oferece preços mais competitivos… leia mais em Pipeline 28/05/2025

