O Rei Felipe VI quer abrir as portas do castelo para os unicórnios – e precisa descobrir como retê-los por lá.

Na edição do evento de inovação South Summit, realizada na última semana em Madri, o governo federal espanhol e o distrito de Madri anunciaram novos investimentos para posicionar a capital como hub tecnológico e reter startups na região.

Durante um seminário menos animado do que em edições anteriores, o monarca aproveitou o discurso de abertura para falar sobre os avanços que foram feitos e prometer verbas — um tanto minguadas — ao ecossistema local.

“Graças aos empreendedores, a Espanha está se transformando numa referência em inovação na Europa”, disse. O país é o sétimo no continente em volume de investimentos de venture capital e o quarto em número de transações.

Mas coube ao ministro da Transformação Digital, Óscar López, anunciar apenas cinco milhões de euros para o nicho de startups do país que estejam desenvolvendo soluções com inteligência artificial que melhorem a qualidade de vida de pessoas com deficiências.

A governadora do distrito de Madri, Isabel Ayuso, emendou que a província também poderá realizar aportes de até 150 mil euros em startups early stage na região — sem revelar o volume total previsto ou requisitos.

As cifras não empolgaram, levando políticos a mudar a conversa para o megaprojeto Madrid Innovation District (MID) — anunciado há cerca de duas semanas e esse sim com algum potencial transformacional. Na parceria público-privada, o clube Real Madrid cedeu terrenos em Valdebebas, uma área próxima ao Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas, para erguer o que promete ser a Vila Olímpia madrilenha. Os coordenadores esperam atrair até 8,5 bilhões de euros em investimentos.

A maior parte dessa verba virá de investidores estrangeiros, calcula o time, à frente da implementação, mas o poder público também tem contribuído — embora cifras exatas não tenham sido reveladas. A maior contribuição do estado até aqui foi uma revisão do Plano Diretor que visa acomodar as intensas transformações estruturais na região para acomodar prédios hiper tecnológicos e a integração do transporte.

Em meio à inflação crescente e a uma perda de relevância comercial no bloco, a ideia é atrair startups e investidores para transformar a Espanha num polo inovador dentro de uma UE ainda engessada por processos regulatórios desatualizados e extremamente rígidos. Um plano antigo do país que, em parte, já avançou.

Hoje, há cerca de 2,9 mil scale-ups no distrito da comunidade de Madri, de acordo com um estudo do próprio South Summit com a Pwc. São as localmente chamadas Empresas de Alto Crescimento (EACs), que crescem mais de 20% ao ano por pelo menos três anos seguidos. Os 0,7% de empresas que alcançam esse status, dizem as autoridades locais, já representam 35% das receitas geradas por iniciativas privadas.

Com uma dezena de prestigiadas universidades atraindo anualmente cerca de 180 mil alunos estrangeiros todos os anos, a Espanha conta com um punhado de escolas de negócios, que fomentam empreendedorismo — algumas prestigiadas pela comunidade internacional. Depois de formados, porém, os founders debandam.

A organizadora do evento, a IE University, acaba de abrir um campus em Nova York. Madri tem lutado para conter o que os VCs locais chamam de uma “fuga de unicórnios”. Num painel com fundos locais na última quinta-feira — entre eles Bynd VC, Plug and Play Ventures e Altair —, investidores culparam a dificuldade de captar recursos e a aversão exagerada ao risco na região.

“Nossos unicórnios nascem espanhóis e terminam americanos”, disse Stephan de Moraes, co-fundador do Indico Capital Partners. “Precisamos de mais fundos grandes na Europa, especialmente capazes de entrar em rodadas mais late stage e que entendam que falhar faz parte do jogo.”… leia mais em Pipeline 08/06/2025