Pátria compra gestão de FIIs da Vectis e adiciona R$ 1,6 bilhão ao portfólio
O apetite do Pátria Investimentos no mercado imobiliário segue forte. A instituição vai incorporar os fundos imobiliários da Vectis Gestão, o que adicionará R$ 1,6 bilhão ao seu portfólio e resultará num patrimônio de R$ 27,5 bilhões já incluindo os FIIs da Genial adquiridos no mês passado.
Nesta transação, são dois fundos imobiliários: o Vectis Juros Real (VCJR11), que investe em papéis do setor imobiliário e tem R$ 1,4 bilhão de PL, e o Vectis Renda Residencial (VCRR11), focado em residenciais para renda.
O valor da aquisição não foi revelado, mas não há necessidade de aprovação pelos cotistas dos fundos, já que a negociação envolveu a compra de parte da Vectis – a firma foi cindida e segue com a gestão dos Fiagros e com o time de sócios em uma nova gestora, a VCS Gestão.
O Pátria aumenta o portfólio sob gestão em fundos imobiliários de papel para R$ 5 bilhões, segmento em que pretende ampliar a participação. “Já temos uma posição consolidada em fundos de tijolo, mas tínhamos apenas R$ 3,5 bi do total sob gestão em fundos de crédito, enquanto esses produtos representam cerca de 50% do mercado de FIIs”, diz Rodrigo Abbud, sócio e head de real estate do Pátria no Brasil. “E essa aquisição vai ajudar a corrigir esse desbalanceamento adicionando ativos com boa qualidade.”
Já o VCRR11 vem complementar a carteira residencial, que já investe na Ulinving voltada para residência estudantil. O fundo da Vectis conta com quatro empreendimentos da Cyela, a maioria de studios, cuja gestão dos aluguéis e manutenção é feita pela Charlie.
“Vemos potencial de crescimento do segmento multifamily no Brasil e queremos destravar valor desse fundo que está muito descontado”, diz Abbud. A compra ainda vai contribuir para ampliar a base de investidores, já que os fundos da Vectis foram distribuídos majoritariamente para os clientes do Itaú Unibanco, somando 35 mil cotistas.
O VCJR11, que é o maior fundo, com 32 mil cotistas, investe em papéis como Certificados de Recebíveis imobiliários (CRIs) de diversos setores como multifamily, residencial hotel, corporativo entre outros originados pela própria gestora.
O portfólio busca um retorno de NTN-B mais 1% a 3% ao ano, mas tem entregado um dividend yield acima do CDI. Com a taxa de juros alta, em 14,75%, Abbud vê apetite dos investidores por fundos de papel. “Vemos maior interesse dos investidores, mas com cautela, não é para toda operação”, disse.
A ideia do Pátria é ter veículos de investimentos grandes nesse segmento, um mais voltado para papéis indexados ao CDI e outro à inflação, que possam oferecer maior liquidez e diversificação de risco aos cotistas, como fazem outras casas como a Kinea. “Fundos grandes são mais resilientes em termos de volatilidade”, disse Abbud.
É essa busca de escala que tem levado a uma consolidação no mercado de fundos imobiliários. Após uma série de aquisições desde ano passado, com a compra da VBI e das carteiras do Credit Suisse e da Genial, esta última ainda pendente de aprovação do Cade, o Pátria deve ficar mais seletivo para crescer via M&As. “Nosso foco agora é aumentar o tamanho dos fundos de crédito no portfólio de maneira orgânica via novas emissões assim que o mercado permitir”, diz Abbud…. leia mais em Pipeline 11/06/2025

