BRF-Marfrig: o voto da Salic e a decisão da CVM
O fundo saudita Salic, acionista de BRF que manifestou apoio à fusão com Marfrig, acabou se abstendo na votação da transação. O Pipeline apurou que a decisão de ir com abstenção ao invés de voto favorável no boletim à distância tem a ver com outra investida do fundo, a Minerva.
A Minerva entrou como terceira interessada no Cade e um de seus argumentos é o potencial conflito de interesses da Salic. Ainda que continue apoiando a operação, o fundo quis evitar que seu voto seja motivo de eventual contestação do resultado final, segundo três fontes, considerando ainda que o voto do controlador de BRF e Marfrig já garante a transação.
Por isso o índice alto de abstenções no boletim, correspondente a quase metade das ações nessa votação – a Salic tem 11% do capital da BRF, com 186 milhões de ações. Nos votos válidos, 69% foram favoráveis à fusão.
A próxima etapa seria a votação presencial, em assembleia marcada para amanhã, dia 18. Mas a participação de Marcos Molina, controlador da Marfrig e maior acionista indireto da BRF, nessa votação, a relação de troca e os procedimentos de governança para o M&A foram questionados pela gestora Latache, que pediu adiamento da assembleia.
A CVM indeferiu boa parte das argumentações, como o questionamento sobre independência dos comitês, mas concordou com a demanda por informações adicionais do embasamento para a relação de troca proposta – assim, acatou o pedido de adiamento, por 21 dias, mudando a assembleia para a segunda semana de julho. A decisão foi por unanimidade no colegiado da CVM, acompanhando a análise da superintendência.
Isso não quer dizer que a votação à distância está cancelada, o que só aconteceria em eventual mudança de termos, conforme um advogado de mercado de capitais. O resultado do boletim segue válido até segunda ordem da CVM e a Marfrig tem até a nova data para responder às demandas apresentadas à autarquia e seguir com a votação presencial… leia mais em Pipeline 17/06/2025


