Quando o mercado muda: o impacto das aquisições estratégicas entre empresas
Em um cenário de negócios cada vez mais dinâmico, as movimentações de fusão e aquisição de empresas se tornaram estratégias comuns para marcas que buscam expandir, se reinventar ou simplesmente sobreviver. Essas transações moldam o mercado, influenciam a concorrência e abrem novas possibilidades de atuação para empresas de todos os tamanhos.
A Fluency Academy e a expansão além do idioma
Um exemplo claro de como a aquisição pode ir além da simples expansão está na estratégia da Fluency Academy. Conhecida pela abordagem moderna em ensino de idiomas, especialmente por seu curso de inglês, a empresa deu um passo importante ao adquirir a startupi, especializada em cursos de tecnologia.
Com a transação, a Fluency não só diversificou sua atuação, como se reposicionou estrategicamente no mercado de educação digital. Agora, além do inglês e outros idiomas, a empresa oferece formações em programação, ciência de dados, design e produto. Essa movimentação fortalece sua proposta de ser uma escola completa para o profissional do futuro, reunindo soft skills e hard skills em um único ambiente.
A operação também contou com o apoio de grandes investidores, como a General Atlantic, mostrando que o mercado de educação continua aquecido e cheio de oportunidades para quem deseja inovar.
A Claro e a compra de ativos da Oi
Outro movimento de destaque foi a aquisição dos ativos de telefonia móvel da Oi por parte de um consórcio formado por Claro, TIM e Vivo. A operação foi concluída após aprovação do Cade e da Anatel, e marcou um novo momento para o setor, impactando diretamente milhões de usuários.
A Claro ficou com parte significativa da base de clientes da Oi Móvel, o que aumentou sua cobertura nacional e fortaleceu sua atuação no segmento de telefonia celular. A aquisição garantiu ganho de escala, maior eficiência operacional e reforçou a competição com as demais operadoras.
É importante esclarecer, no entanto, que a Claro não comprou a Oi Fibra. Os ativos de fibra óptica da Oi foram vendidos separadamente para a empresa Nio, subsidiária da V.tal, controlada por fundos do BTG Pactual. A operação foi concluída em fevereiro de 2025. A Nio agora é responsável por operar a antiga infraestrutura da Oi Fibra, com foco em internet residencial e empresarial de alta qualidade, utilizando a tecnologia FTTH (fibra até a casa).
Enquanto isso, a Claro continua oferecendo serviços de internet, inclusive fibra óptica, com foco em áreas urbanas — mas, em muitos casos, com a tecnologia FTTC (fibra até o armário), que é diferente da abordagem adotada pela Nio.
O que essas movimentações têm em comum?
Embora em setores bem diferentes, os dois casos revelam padrões comuns: o desejo de crescer com velocidade, diversificar produtos e reduzir riscos. No caso da Fluency, a ideia foi complementar sua atuação com novas áreas do conhecimento. Já no caso da Claro, a intenção foi consolidar infraestrutura e ampliar sua base de clientes em segmentos estratégicos.
Essas operações também mostram que fusões e aquisições de empresas vão muito além dos números. Elas exigem integração cultural, alinhamento de processos, adaptação de marca e, principalmente, foco no consumidor. Quando bem conduzidas, são capazes de fortalecer a proposta de valor e garantir a sustentabilidade da empresa a longo prazo.
Os desafios por trás das aquisições
Nem tudo, porém, são vantagens imediatas. A integração entre empresas diferentes pode trazer desafios internos, como divergências culturais, duplicidade de funções, conflitos de liderança e ajustes operacionais. Além disso, há o impacto sobre os clientes, que muitas vezes precisam se adaptar a novos serviços, sistemas ou canais de atendimento.
No caso da Fluency, por exemplo, houve o desafio de unir duas propostas educacionais distintas – uma voltada a idiomas e outra a tecnologia. Já a Claro enfrentou questões mais técnicas: migração de redes, padronização de atendimento e atualização de contratos herdados da Oi.
Outro ponto delicado é a regulação. Operações como a da Claro exigem aval de órgãos como a Anatel, que pode impor restrições ou exigir contrapartidas. No fim das contas, tudo precisa ser pensado com cuidado: da assinatura do contrato até o impacto prático para o usuário final.
Por que tantas empresas estão seguindo esse caminho?
A resposta é simples: em mercados maduros, crescer de forma orgânica pode ser demorado e caro. Já a aquisição de uma empresa com base já consolidada, infraestrutura pronta e carteira ativa permite saltos estratégicos. Além disso, fusões são ótimas oportunidades para unir competências, eliminar sobreposições e aproveitar sinergias que geram economia de escala.
Outro benefício importante é a possibilidade de oferecer novos produtos ou serviços com mais agilidade. No caso da Fluency, por exemplo, seria muito mais difícil construir do zero uma plataforma sólida de cursos técnicos. Com a aquisição da Awari, isso foi resolvido em uma única operação.
Fusão e aquisição como estratégia de futuro
Seja para conquistar novos mercados, diversificar receitas ou acelerar inovações, o fato é que o movimento de fusão e aquisição veio para ficar. Empresas que desejam se manter competitivas precisam avaliar com atenção esse tipo de estratégia, entendendo onde ela pode gerar valor real — tanto para a marca quanto para os clientes.
O segredo está na execução. Não basta assinar um contrato e unificar equipes. É preciso investir em integração, escuta ativa e visão de longo prazo. Só assim será possível transformar uma transação comercial em um salto estratégico.
Para onde vamos a partir daqui?
Com as mudanças constantes no comportamento do consumidor, a digitalização acelerada e a pressão por inovação, o mercado deve continuar testemunhando novas fusões e aquisições nos próximos anos. Seja no setor de educação, como vimos no caso da Fluency e sua expansão além do curso de inglês, seja no setor de telecomunicações, como a atuação da Claro na aquisição de ativos da Oi, o movimento é claro: quem não evolui, fica para trás.
As empresas que conseguirem unir estratégia, agilidade e foco no cliente terão mais chances de não apenas crescer, mas também liderar… leia mais em Contilnet 18/06/2025

