Saldo do Dia: Embora o pior pareça já ter passado, os 50% impostos por Trump sobre produtos brasileiros seguem penalizando ativos domésticos. E agora outros países voltam a entrar na mira tarifária do republicano e o risco escala a nível global.

Mais um dia de sangria no mercado brasileiro. Mas, desta vez, em linha com o clima fúnebre no exterior.

Se, nos dias que antecederam esta sexta-feira (11), investidores dos Estados Unidos e das bolsas europeias tinham o caminho livre para tomarem riscos, agora a situação mudou.

E agora eles se juntam a nós aqui ao sul dos trópicos no velório do rali nas bolsas.

O Ibovespa cedeu cedeu 3,6% nesta semana, que marcou o pior desempenho semanal do índice desde dezembro de 2022. Hoje, a carteira caiu 0,4% e encerrou a sessão pendurado por pouco nos 136 mil pontos. No acumulado no mês de julho, a queda se aprofundou a 1,9%. Do começo do ano até aqui, a valorização da carteira foi reduzida a 13,22%.

Mas a debandada do risco perde fôlego conforme o Brasil deixa de ser o principal alvo na mira de Donald Trump.

A carteira do Ibovespa movimentou R$ 14,3 bilhões hoje, abaixo da média diária dos últimos 12 meses, de R$ 16,5 bilhões.

Porém a queda de liquidez na bolsa é até uma boa notícia no atual contexto. Como o Valor informou aqui, o giro financeiro subiu nos últimos dias em função da debandada dos gringos, que reduziram suas exposições à bolsa do Brasil pela venda de cotas do fundo de índice (ETF) EWZ, que acompanha o MSCI Brazil, a cesta de referência de ativos brasileiros no exterior.

Nos últimos dois dias, o ETF afundou quase 2% e mais de 1,5%. O volume negociado no fundo mais do que dobrou com o tarifaço de Trump, em função desse movimento forte de venda. Hoje, o EWZ caiu 0,7% durante o pregão na Bolsa de Nova York (Nyse).

Para cotas com baixa volatilidade, como é o caso, que variam entre queda máxima de 0,5% e alta máxima de 0,5% na média, o movimento ainda mostra uma tendência de saída do mercado, embora agora menos forte.

Apesar da força no exterior, por aqui dólar comercial avançou apenas 0,1%, ou seja, fechou praticamente estável, cotado a R$ 5,55. Na semana, a moeda acumula alta de 2,28% contra o real e, em julho, de mais de 2%. Mas, considerando o período desde o início do ano, ficou 10,22% mais barata para o brasileiro.

Por mais um dia, as ações da Vale e da Petrobras e cia. seguraram as pontas na renda variável, amortecendo a queda do Ibovespa e sustentando o fluxo de dólares para o mercado doméstico. As gigantes da bolsa brasileira possuem uma fatia relevante da carteira e, com isso, têm capacidade de fazer frente às quedas de outras ações.

Nesse período, a força desses setores tem vindo da valorização do minério de ferro e do petróleo, além do encarecimento do dólar, já que suas receitas são atreladas à precificação das commodities no mercado externo.

Das 84 ações que fazem parte do Ibovespa atualmente, 65 desvalorizaram nesta sessão. E 72 papéis da carteira encerraram a semana valendo menos.

Outros mercados na mira do tarifaço

Wall Street se contorce no aguardo da “cartinha” que está sendo preparada para a União Europeia.

As sinalizações sobre as negociações entre representantes do bloco e o governo americano não são positivas até aqui. E pode ser que o tarifaço de Trump faça novas vítimas: os ativos europeus.

Ou, quem sabe, os americanos. A retomada da retórica de “nós contra o resto do mundo” do começo do mandato do republicano e suas possíveis consequências – como dar um novo impulso na inflação do mercado americano – começa a pôr em xeque os alívios monetários nos juros americanos este ano.

Mais uma vez, as ofensivas comerciais de Trump espalham aversão ao risco a nível global. Não apenas pelo potencial impacto sobre o mercado americano, mas por adicionarem incertezas ao horizonte de investimentos e também ameaçarem a rota de inflação e a política monetária em outros países.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 seguiu em 14,94% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.

No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2029 foram de 13,46% para 13,47%ao ano.

Já para janeiro de 2036, a taxa subiu de 13,62% para 13,59% ao ano. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo.

Assim, outros mercados se juntam ao Brasil no adeus aos expressivos ganhos recentes na renda variável.

A Índia, no entanto, tenta fazer parecer que pode se dar bem nesse jogo. De acordo com informações do governo indiano a agências de notícias internacionais, o país está confiante em negociações de tarifas abaixo de 20%. A segurança faz sentido, especialmente por ser um dos mercados dos quais os EUA mais dependem, especialmente para insumos para a indústria de tecnologia e serviços.

Embora não seja um concorrente comercial das exportações do Brasil para o mercado americano, a Índia pode ganhar protagonismo entre os emergentes e ser favorecida por investidores estrangeiros nessa alocação do capital, que vem deixando os ativos brasileiros em segundo plano com a escalada do risco por aqui… saiba mais em Valor Investe 11/07/2025