Os irmãos bilionários Reuben discutem investimento em consórcio para adquirir OnlyFans
Os magnatas do mercado imobiliário David e Simon Reuben estão em negociações para investir em um consórcio liderado pela empresa de investimentos The Forest Road Company, de Los Angeles, que quer assumir o controle do serviço de “streaming” de conteúdo adulto OnlyFans.
Os irmãos bilionários poderiam investir centenas de milhões de dólares por meio de uma holding em um consórcio que discute a transação com o OnlyFans, a plataforma de “streaming” on-line para profissionais do sexo, estrelas do esporte e celebridades, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.
Essas fontes explicaram que o império empresarial da família analisa a possibilidade de financiar um veículo de aquisição de propósito específico (Spac, na sigla em inglês) criado pela Forest Road para conseguir a participação majoritária no OnlyFans, o que poderia garantir uma avaliação de até US$ 7 bilhões para a plataforma.
David e Simon Reuben, cujos investimentos incluem uma participação minoritária no clube de futebol da Premier League Newcastle United e imóveis em Mayfair, como o Burlington Arcade, são apenas dois de pelo menos uma dúzia de partes que estudam a hipótese de se juntar ao consórcio.
A família Reuben está no centro do establishment britânico e é uma das mais ricas do Reino Unido.
Sua fundação sustenta instituições como o British Museum e a National Gallery, enquanto Jamie Reuben — filho de David e um executivo importante na empresa de investimentos da família — é um grande doador do Partido Conservador. O jovem Reuben também liderou os investimentos da família em hotéis de luxo, como o The Surrey Hotel, em Nova York, e o clube privado Twenty Two.
Representantes dos irmãos Reuben e do OnlyFans não quiseram fazer comentários. A Forest Road não respondeu a vários pedidos de comentários.
Segundo as fontes, a família Reuben ainda não acertou a transação e pode decidir não investir. As discussões a respeito da venda de uma participação majoritária na empresa também poderiam fracassar por completo ou outro comprador poderia surgir. Uma fonte próxima dos irmãos Reuben disse que não houve discussões para que eles assumissem a liderança ou a participação majoritária na empresa.
No começo deste ano, a Fenix International, proprietária do OnlyFans — e cujo único acionista é o bilionário ucraniano-americano Leonid Radvinsky —, deu início a um processo para vender uma grande participação na plataforma paga de rede social, que tem mais de 300 milhões de usuários registrados.
Radvinsky, que comprou a empresa em 2018 de seus fundadores britânicos, Tim Stokely e seu pai, Guy Stokely, manterá uma participação acionária na empresa caso a transação se concretize.
Em 2022, Radvinsky avaliou a possibilidade de abrir o capital do OnlyFans por meio de uma empresa de propósito específico e manteve discussões com a Forest Road Acquisition Corp II, uma Spac constituída pela Forest Road Company e financiada pelo astro do basquete Shaquille O’Neal e pelo ex-executivo da Disney Kevin Mayer. Mas uma oferta pública inicial por meio de uma empresa de propósito específico nunca se concretizou.
O banco de investimentos boutique Raine, segundo fontes familiarizadas com as discussões, está assessorando informalmente a Forest Road nas iniciativas para levantar capital para a transação. O Raine, especializado em assessoria para transações nos setores de entretenimento, esportes e tecnologia nos Estados Unidos, não quis comentar o assunto.
Alimentada em grande parte pela demanda por conteúdo adulto, a popularidade do OnlyFans disparou nos últimos anos. Ele recebe uma comissão de 20% sobre os pagamentos feitos em sua plataforma. Pelas contas de 2023, registradas no ano passado, os pagamentos chegaram a US$ 7,9 bilhões, o que lhe rendeu US$ 657 milhões em lucros antes de impostos.
O OnlyFans nega ser um site de pornografia e se apresenta como uma plataforma paga de “streaming” on-line para criadores de conteúdo, estrelas do esporte e celebridades, mas sua associação com conteúdo adulto tem provocado polêmica. Em 2021, o site estudou a possibilidade de proibir por completo o conteúdo sexual explícito, mas acabou por desistir da ideia.
Plataformas on-line ligadas a conteúdo adulto sempre tiveram dificuldades para conseguir o mesmo tipo de avaliação das empresas de tecnologia, porque bancos e instituições financeiras evitam há muito tempo os serviços associados ao trabalho sexual por questões de conformidade.
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