Com juros para captação de recursos no mercado chegando a 30% ao ano, vem aumentando o número de empresas que buscam investidores via operações de fusão e aquisição para se capitalizar e expandir negócios. Se de um lado a busca por investidores pelos empresários aumenta, de outro o apetite do investidor vem diminuindo, diante especialmente das incertezas adicionadas pelo tarifaço americano e pelas incertezas sobre o desempenho econômico local e global. Os juros de 15% ao ano também desestimulam o investidor e os próprios sócios a injetarem dinheiro nos negócios, afinal, é fácil conseguir um retorno de 1% ao mês, sem correr nenhum risco. O resultado é que o valor de avaliação das empresas está em queda, diz Leonardo Dell’Oso, sócio da PwC Brasil, especialista em M&A, sigla em inglês para fusões e aquisições.

– Houve um boom no valuation das empresas brasileiras, após o crescimento de 60% de fusões e aquisições em 2021. Isso levou a uma queda significativa nesse movimento nos anos seguintes. Sem falar que as empresas que fizeram fusões e aquisições nesse período de grande ebulição precisam de tempo para integrar os negócios e realizar os ganhos e eficiências esperadas com essas operações. Este ano, começamos a ter um crescimento das operações de M&A, no primeiro trimestre, o crescimento era de 21,94%, mas com os anúncios das tarifas já percebemos que o ritmo de negócios está desacelerando. No acumulado do primeiro semestre, a alta é de 13%. E a tendência é que essa desaceleração continue até que se tenha uma definição mais clara dos impactos das tarifas nas empresas e na economia brasileira – pontua Dell’Oso.

O executivo conta que vinha recebendo pedidos de investidores estrangeiros para análises de fusões e aquisições por aqui, mas que o movimento arrefeceu mais recentemente por conta dos possíveis impactos do tarifaço. A participação internacional no mercado de M&A no Brasil chegou ao pico em 2015, quando chegou a ser de 49%, diz Dell’Oso, que destaca que nos últimos cinco anos a média é de 18%.

– Apesar das tarifas altas contra China, Canadá e outros países, havia um entendimento de que o Brasil ficaria nos 10%. Muitos investidores viam inclusive o Brasil como alternativa à Ásia, especialmente à China, para realocação das suas cadeias de suprimentos e de produção. Mas essa sobretaxa causa incerteza e paralisa os negócios – ressalta… leia mais em O Globo 04/08/2025