Retomada hoteleira atrai fundos da CVPar e BTG
Com o crescimento das taxas de ocupação e das tarifas, que já retornaram ao patamar pré-pandemia, o setor hoteleiro voltou a atrair investimentos de fundos imobiliários. O BTG Pactual está captando um novo fundo de até R$ 415 milhões para comprar hotéis prontos, enquanto a gestora CVPar planeja um veículo com a mesma finalidade, ainda sem valor delimitado.
A taxa média de ocupação dos hotéis no Brasil cresceu 3,3% no primeiro semestre, comparado com o mesmo período do ano passado, ficando na casa de 60%, segundo dados do Fórum de Operadores de Hotéis no Brasil. A tarifa média das diárias subiu 10,7% no período, o que representa uma alta de receita por quarto disponível de 14,4%.
O BTG Hospitalidade Retorno Total quer investir em hotéis prontos, buscando ganho com renda e com a valorização dos imóveis para uma posterior venda dos ativos. A carteira mira taxa de retorno de 20% e dividend yield anual potencial entre 11,2% e 14,3% com prazo de cinco anos, prorrogáveis por mais dois, segundo prospecto da oferta.
O BTG já gere dois fundos de hotéis, o BTHI11 e o Hotel Maxinvest (MTMX11), que são negociados na bolsa e voltados para o público de varejo. Somam 54 unidades hoteleiras e R$ 3,3 bilhões em ativos. Já o novo veículo terá como foco investidores institucionais, enquandrando-se nas regras para Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e fundos de pensão.
O fundo já mapeou as aquisições: são 14 hotéis, sendo dois da categoria luxo no Rio (o MG Gallery e Mama Shelter, em Santa Teresa), e outras unidades de escala na capital paulista e no interior do estado, com a bandeira Pullman, à econômica, com o Ibis, somando 1,67 mil quartos. Os ativos estão avaliados com desconto de 44% em relação ao valor de reposição, o que traz uma oportunidade interessante para compra, argumenta no prospecto.
A CVPar também está apostando nesse mercado. Após comprar o hotel Hilton Garden Inn, localizado em um complexo multiuso na avenida Rebouças por R$ 110 milhões, a gestora planeja montar um veículo para comprar hotéis prontos voltados para renda. “Começamos a olhar empreendimentos que precisam melhorar a gestão ou fazer um retrofit”, diz Irapuã Dantas, chefe de real estate da CVPar.
Apesar de atuar também com a bandeira própria, a InnerHaus, a CVPar não pretende trocar a bandeira do Hilton da Rebouças. “Devemos manter as bandeiras dos hotéis já prontos”, diz Dantas, ressaltando que a companhia só vai abrir a captaçãao quando tiver os ativos já definidos.
A CVPar olha a capital paulista e também regiões com demanda impulsionada pelo agronegócio, como a cidade de Sinop, no Mato Grosso. Para o executivo, apesar do crescimento de imóveis voltados para curta estadia, que são comprados por investidores para o ganho com aluguel no Airbnb, há demanda para todos os públicos. “O mercado de short stay cresceu com a escassez de hotéis bem localizados e acreditamos que, para bons ativos de hotelaria, com bons serviços, sempre haverá demanda”, diz.
Além dos prontos, a CVPar lança neste mês o complexo de luxo com a bandeira InnerHaus, em Fortaleza, que terá um hotel e unidades residenciais, totalizando R$ 100 milhões de investimento e previsão de entrega em 2028. A CVPar planeja expandir a marca para capitais como São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Florianópolis e São Luís… leia mais em Pipeline 08/08/2025

