Com redução do endividamento e alavancagem considerada baixa, a Unifique está pronta para voltar às compras de provedores de banda larga, destacou o CEO da operadora, Fabiano Busnardo, nesta quinta-feira, 7, em conferência sobre os resultados do segundo trimestre.

A empresa fechou junho com dívida bruta de R$ 695,4 milhões, baixa de 16,1% na comparação com o primeiro trimestre. Inclusive, 87% dos débitos estão indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do País, e a alavancagem ficou em 0,60x.

A analistas do mercado financeiro, a operadora ainda ressaltou a posição de caixa de R$ 376,1 milhões ao fim da primeira metade de 2025.

Neste contexto, Busnardo diz que a empresa não busca necessariamente reduzir ainda mais o endividamento, mas sim novas oportunidades de crescimento inorgânico no mercado de provedores de serviços de Internet (ISPs).

“Temos apetite e condições financeiras muito tranquilas para executar, mas precisamos também de uma oportunidade que seja vantajosa e gere valor para os acionistas”, afirmou Busnardo.

“Não lançamos mão [de aquisições] no ano passado e neste ano, mas estamos preparados e com estrutura para esse investimento. Vamos acompanhar o mercado”, complementou.

Perto de casa

O CEO ainda enfatizou que a empresa não tem pretensões de realizar aquisições fora da região Sul, pois, em sua avaliação, a expansão geográfica poderia comprometer a absorção de sinergias.

“Preferimos atuar em uma área menor, mas cada vez mais fortes. Acredito que isso traz resultados mais sólidos para a companhia. Estamos com capacidade de absorver, mas tem uma situação de preço que não conseguimos convergir”, ressaltou. “Estamos ativos, sim, mas com alguma parcimônia, porque precisamos garantir que isso gere valor para a companhia”, reiterou.

Estratégia no RS

Ainda no que diz respeito às operações de banda larga, Busnardo disse que a empresa está revisando a sua atuação no Rio Grande do Sul, com foco em “limpeza da base”, processo que deve ocorrer até setembro.

Isso está sendo feito por meio de uma equipe dedicada à redução do churn. Na banda larga, a taxa de evasão de clientes ficou em 1,50% ao fim do segundo trimestre, uma das mais baixas da história da empresa.

Vale lembrar que, em termos de base, o território gaúcho (177,9 mil acessos) é o segundo mais importante para a Unifique, mas ainda bastante atrás de Santa Catarina (629,4 mil acessos), terra natal da empresa. A operadora ainda conta com 8,9 mil clientes no Paraná, totalizando 816,2 mil assinantes.

“Estamos meio que dando uma limpada na base em função de vendas que não foram feitas com a melhor qualidade, mas acreditamos que, a partir de setembro, a gente tenha uma situação normalizada no Rio Grande do Sul e [o estado] passe a contribuir mais significativamente para o crescimento da companhia”, explicou o CEO.

Aceleração no móvel

Busnardo também celebrou os avanços na telefonia móvel. A operadora adicionou 38 mil novos usuários ao serviço celular no segundo trimestre, fechando junho com 170 mil acessos.

Segundo o executivo, 81% dos chips vendidos são em combos com banda larga. Desse modo, 15% dos assinantes de fibra óptica já contam com os serviços 4G e 5G da Unifique.

A empresa projeta que a operação móvel gere em torno de R$ 7 milhões em receita por mês por volta do fim deste ano, alcançando R$ 100 milhões no consolidado de 2026. Busnardo ainda ressaltou que a convergência de serviços ajudará a manter o churn em níveis baixos – o de telefonia celular, por exemplo, encerrou o segundo trimestre em 1,97%.

“No ano que vem, o faturamento do móvel já passa a ser significativo e representativo nos números gerais da Unifique, com resultados muito positivos”, assegurou. “Não precisamos contratar terceiros para fazer esse serviço. Toda a sinergia está nos ajudando a ter uma operação saudável, ainda que pequena”, ponderou… saiba mais em teletime 07/08/2025