O veto a BRB-Master: a semana em que a operação azedou de vez
O Banco Central vetou a compra de parte do Banco Master pelo estatal BRB, após mudanças no escopo da operação que sinalizavam adaptações para fazer o negócio passar no regulador. Há uma semana, ainda que com ressalvas e sem consenso interno, era dado como certo que o BC aprovaria o negócio, segundo fontes próximas ao caso. Mas dois acontecimentos recentes acabaram azedando de vez a discussão, disseram esses executivos.
O primeiro foi a operação da Polícia Federal na quinta-feira passada na Faria Lima. A investigação, ali, não tinha nada a ver com o Master, não envolveu empresas do banco e tampouco seu controlador, Daniel Vorcaro. Mas englobou empresas e personagens com quem o Master têm relacionamento próximo – como a Reag, que administra fundos do banco e do banqueiro, e controladas de Maurício Quadrado, seu (recentemente) ex-sócio.
Agentes de mercado e da política viram uma tentativa, nos bastidores, de correlacionar a operação policial, que inclui lavagem de dinheiro para o PCC, ao caso Master – especialmente via enfraquecimento de nomes do quórum político de Vorcaro em Brasília. Um outro desdobramento seria que a operação, vinculando negócios em crescimento exponencial a irregularidades, também aumenta a pressão sobre o regulador e governo sobre o escrutínio de grupos financeiros – e o “moral hazard” de desfechos suaves para quem avançou pelo acostamento.
Mas a gota d’água veio quando o grupo político, de onde esperava-se recolhimento temporário, resolveu justamente aumentar a pressão pró Master, analisa um interlocutor que transita entre a Faria Lima e Brasília. Ontem, líderes de seis partidos na Câmara dos Deputados assinaram um pedido de urgência para um projeto de lei que permite ao Congresso demitir diretores do BC. Como informou o Valor, o alvo seria o diretor de organização do sistema financeiro, Renato Gomes – o mais resistente à aprovação de BRB-Master.
A chantagem do Centrão veio acompanhada de uma campanha contra o dirigente. Pessoas próximas ao banco e ao bloco político circularam documentos sobre decisões de Gomes que teriam beneficiado o BTG Pactual. André Esteves, ainda que tenha comprado ativos do Master, era um dos mais atuantes no pleito para apertar o banco via FGC, ao lado de Itaú.
“Essa situação colocou a diretoria do BC em tamanha vulnerabilidade que uma aprovação seria uma concessão institucional e uma desmoralização dos dirigentes sem tamanho”, diz uma fonte. O BC já vinha analisando também a contabilidade do banco e riscos das carteiras e também sofreu críticas por ter deixado espaço para o Master crescer apoiado em títulos com cobertura do FGC e com lastro em operações ilíquidas. “Atalhos bem remunerados indicam falta de isonomia na aplicação de regras básicas regulatórias”, diz um executivo do setor financeiro.
O BRB fez ajustes no escopo da aquisição nos últimos meses, para tentar viabilizar o negócio. Além de reduzir o tamanho da carteira comprada e sinalizar mais garantias ao FGC, também mexeu na governança, tirando a cadeira que ficaria com Vorcaro no conselho. O BRB confirmou o veto em fato relevante a mercado e disse que o contrato será rescindido.
Procurado, o Banco Master disse, em nota, que “aguarda ter acesso à íntegra do documento para avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis sobre a decisão do Banco Central a respeito da negociação com o BRB. O banco continua confiante na sua estratégia e na sua operação, que fizeram com que se destacasse num mercado altamente concentrado.”… leia mais em Pipeline 03/09/2025

