A construtora portuguesa Engil-Mobil, que tem capital da gigante chinesa CCCC, é quem vai erguer o túnel Santos-Guarujá, um projeto de quase 100 anos e cuja paternidade já é disputada entre o governador Tarcísio de Freitas e o presidente Lula às vésperas das eleições de 2026. A companhia, representada pela Galápagos, arrematou o leilão nesta sexta com um desconto de 0,5%, batendo a espanhola Acciona, que não ofereceu desconto. A concessão vai ser de 32 anos.

A Engil-Mobil nasceu em 1946 em Portugal. A multinacional opera na Europa, África e também já atua na América Latina, inclusive no Brasil. A CCCC detém cerca de 30% da companhia. Em 2024, a portuguesa comprou o controle da Empresa Construtora Brasil (ECB), de Belo Horizonte, e é a responsável pelo VLT de Salvador.

A Engil-Mobil e a Acciona foram as únicas construtoras que entregaram os envelopes à B3 na última segunda-feira. As brasileiras Andrade Gutierrez, OEC (ex-Odebrecht) e Álya (antiga Queiroz Galvão), que chegaram a ser cogitadas, ficaram fora da disputa.

A obra tem duração prevista de cinco anos e vai custar R$ 6,8 bilhões, com aporte público de R$ 5,1 bilhões. O governo estadual de São Paulo e o governo federal vão dividir igualmente os custos do projeto. O evento na B3 contou com a presença do governador de São Paulo e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Trata-se da principal obra do Novo PAC, conjunto de obras de infraestrutura da gestão petista.

O traçado vai ter 1,5 km de extensão, dos quais 870 metros vão ser submersos na água, sendo o primeiro túnel do tipo no país. Haverá três faixas de tráfego por sentido, com espaço para receber um VLT e uma ciclovia de bicicletas. Além de unir os dois centros urbanos do litoral paulista, a ideia é aproximar o tráfego de caminhões ao Porto de Santos. O trajeto previsto deve durar cinco minutos. O pedágio será feito no modo free-flow, com cobrança nos dois sentidos.

A obra é inspirada no túnel Fehmarnbelt, que liga a Alemanha e a Dinamarca, e teve custo de 7,8 bilhões de euros para 18 km de extensão. Ao invés de ser cavado, estruturas de concreto armado são montadas na superfície, vedadas temporariamente, submersas no canal e aí instaladas debaixo do mar. A conclusão está prevista para 2029.

O projeto levou um século em maturação – a primeira menção foi feita em 1927, quando as autoridades locais começaram a discutir uma alternativa para ligar Santos e Guarujá. Ao longo das décadas, diversas soluções foram propostas, incluindo uma ponte levadiça, o que permitiria a passagem de navios pelo canal marítimo entre as duas cidades. Os custos do projeto, além do impacto urbano e ambiental, fez a ideia não ir adiante.

Atualmente, a ligação entre as duas cidades litorâneas é feita por balsa para carro ou por estrada, o que leva até uma hora sem congestionamento. A travessia recebe diariamente cerca de 21 mil veículos, 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres… saiba mais em Valor Econômico 05/09/2025