Após meses de assembleias, comitês, autorizações regulatórias, estica e puxa com analistas e minoritários, a MBRF começa a operar oficialmente nesta terça-feira. Na B3, Marfrig e BRF se unem sob o ticker MBRF3.

A companhia é uma gigante de R$ 161 bilhões em faturamento, operação em 120 países e liderança em diversos segmentos. É, por exemplo, a maior produtora de hambúrgueres do mundo, com 2,2 bilhões de discos de carne e frango ao ano.

A fusão de Marfrig e BRF é o triunfo do empresário Marcos Molina, que sonhava com o negócio há anos. Quando criou a Marfrig, em 2000, a rival Sadia já era uma marca tradicional no país e a referência para qualquer novato – ainda que a concorrência não fosse direta. Em 2021, Molina comprou uma participação relevante na BRF, para depois tomar o controle e a administração da companhia.

Agora, Molina pode até revisar o mascote da Sadia, o frango Lequetreque – ou ao menos adicionar um boizinho ao time. Isso porque a marca amplamente conhecida dos brasileiros por produtos de aves vai ser a marca global de proteínas da Marfrig, inclusive para carne bovina.

“Estamos focados na entrega de sinergias e eficiência de resultados e também crescimento”, diz Molina, ressaltando que o consumo de proteína segue aumentando. Até as canetas ajudam: segundo ele, o maior uso de produtos como Ozempic e Monjauro aumentam o consumo per capita de proteína, para preservação de massa magra.

À época do anúncio da operação, a Marfrig estimava um ganho de sinergia da ordem R$ 800 milhões ao ano, o que agora subiu para R$ 1 bilhão. “Não é mera estimativa, é o que já vai ser executado”, diz o controlador.

A estrutura corporativa é o primeiro ponto óbvio de redução de custos, com redução de quatro vice-presidências, um só conselho, comitês que também eram duplicados e passam a um só, e um CEO – Miguel Gularte, o homem de confiança de Molina que já comandou tanto Marfrig quanto BRF. Mas também há ganhos logísticos e comerciais.

“É uma companhia multiproteína, com aves e bovinos, e 38% do volume em produtos processados, com valor agregado e marcas ícones”, diz Gularte. “Temos oportunidade de ampliar os produtos nas contas globais de uma e força no foodservice da outra”. No negócio consolidado, 42% da receita vem dos Estados Unidos e 24% do Brasil.

A fusão também reequilibra a estrutura de capital das companhias, reduzindo a alta alavancagem de Marfrig… leia mais em Pipeline 22/09/2025