O futuro da Eneva e o futuro da Raízen
A transação envolvendo a Cosan soluciona a equação da holding, mas coloca em ebulição no mercado os potenciais caminhos para a controlada Raízen e para a empresa de energia Eneva, que tem o BTG como maior acionista.
A Eneva atua na geração, exploração e produção de petróleo e gás natural e na comercialização de energia elétrica. O BTG tem 25,47% e já tentou amarrar uma fusão da empresa com a Vibra, distribuidora de combustíveis e lubrificantes, dona da rede de postos BR. A Vibra, que tem capital pulverizado, rechaçou.
Estão no conselho da Eneva o banqueiro André Esteves e o sócio de infraestrutura do banco, Renato Mazzola. Esteves foi quem fez o alinhamento com Rubens Ometto na capitalização da Cosan pelo BTG e Mazzola, que participou do processo, foi o porta-voz do banco na teleconferência da Cosan, na segunda-feira, sobre a capitalização.
Pois a Cosan já tem um pé em cada um desses universos – no que a Eneva atua e no que ela queria atuar. A Compass atua em gás natural (é controladora da Comgás, em São Paulo, por exemplo). A Raízen é uma joint venture com a Shell na distribuição de combustível, nos postos da marca estrangeira. Já a Moove é fabricante de lubrificantes.
“Se os sócios do BTG estão apostando no grupo de infraestrutura e tinham apetite de aquisições via Eneva, não faria sentido esses negócios ficarem separados”, diz um gestor graduado. “A entrada na Cosan tem como segundo passo óbvio para o BTG uma integração da Eneva”, emenda um banqueiro de investimento.
Mazzola, na call de segunda-feira, disse “todo e qualquer investimento” do banco em ativos de ferrovia, lubrificantes ou distribuição de gás nos segmentos da Compass “serão feitos nesses únicos veículos”. “Não terão competidores do nosso lado.”
Citou a Eneva, ao dizer que ali estaria o único potencial conflito de interesse no momento, do grupo, com a vertical Edge – braço da Compass que engloba as atividades do Terminal de Regaseificação de São Paulo, biometano, GNL B2B e demais projetos de infraestrutura, e a comercialização de gás. O BTG fica fora desse conselho, para evitar o conflito, emendou.
A Cosan já tentou sócio ou IPO na Moove e na Compass e busca uma capitalização na Raízen — num processo em que o BTG já era um dos potenciais interessados. Na Moove e na Compass, o grupo Cosan tem tempo. São companhias com baixa alavancagem, em crescimento, e que com potencial de atrair sócios a melhores valuations num cenário mais otimista de Brasil, dizem as fontes. A questão mais urgente, resolvida a holding, é a Raízen.
Hoje, há dois principais cenários para a companhia: um em que o BTG participa diretamente da solução – e considerado menos provável no atual patamar de discussões, segundo fontes – e outro em que o problema cai no colo da Shell. No primeiro caso, o banco poderia entrar, por meio da asset, por exemplo, numa capitalização e já assumir o controle deste negócio antes mesmo de ter o controle da holding (o que só virá em 2031). Arrumando a casa, pode cogitar uma fusão com outra investida ou uma cisão desse negócio.
O outro caminho tem a ver com o sócio da JV. Na capitalização, a Cosan deixou claro que nem um centavo vai para essa controlada, isolando o problema da Raízen da holding. Por isso, há quem tenha interpretado como uma sinalização de que o problema da Raízen será da Shell. A Cosan tem uma put contra a Shell na Raízen, apurou o Pipeline — a questão são as condições para esse exercício.
“Há um fato: a partir do momento em que o Esteves investe na Cosan, a Raízen também passa a ser problema dele. Isso significa que ou ele vai resolver o problema ou vai arrumar outro dono do problema”, diz outro banqueiro de investimento, apostando na segunda opção… leia mais em Pipeline 23/09/2025

