Mais de 60% das healthtechs brasileiras nunca receberam aportes, diz Abstartups
60,9% das healthtechs brasileiras nunca receberam investimentos. É o que diz o “Panorama das healthtechs no ecossistema brasileiro de startups”, estudo realizado com um total de 300 empresas pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups) em parceria com o Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da Universidade de São Paulo. O relatório mostra que as startups do tipo estão concentradas no estado de São Paulo (40,9%), tem até 3 anos de existência (45%) e tem como modelo de negócios o Software as a Service (37,3%).
“O que muda no cenário dessas startups é o amadurecimento: há um movimento claro de transição para fases intermediárias — tração (33,6%) e operação (22,1%) — indicando que várias soluções estão deixando a ideia e buscando escalabilidade”, analisa Lindomar Góes, presidente da Abstartups.
“Também vemos uma diversificação de parcerias [hubs, academias, corporate] e um foco mais forte em saúde preventiva e bem-estar, sinalizando que o mercado está expandindo além de soluções estritamente clínicas para ofertas integradas de cuidado e qualidade de vida”, comenta. Os principais parceiros são hubs de inovação (53,1%), mas também há a presença de academia (33,5%), meio corporativo (28,7%) e setor público (24,8%).
Na questão geográfica, além de São Paulo, destacam-se Minas Gerais (9,1%), Santa Catarina (7,9%), Rio Grande do Sul (6,7%) e Rio de Janeiro (5,9%).
Os resultados, para Góes, mostram um cenário de consolidação, com espaço para crescimento e profissionalização do setor. Veja mais análises e oportunidades para empreender:
O cenário de investimento em healthtechs
Os principais desafios para as startups de saúde são captação de investimento (60,9% ainda não receberam), formação de time (startups muito pequenas – mais da metade com até cinco colaboradores) e baixa taxa de patentes (73,7% sem patentes).
“O cenário é promissor, porém seletivo. Há investidores ativos, mas a maioria das healthtechs ainda não captou, e poucos têm captação fora do estado de origem ou internacional”, aponta Góes. O relatório mostra que 39,8% recebem investimento do mesmo estado, 27,7% de outro e apenas 1,2% de países estrangeiros.
Entre quem já levantou dinheiro, 43,4% vêm de investidores-anjos, seguido de programas de aceleração (18,1%), fomento público (7,2%), corporate venture capital (7,2%) e fundos de investimento (6%).
Segundo Góes, tração comprovada, caminho para escalabilidade e análise de rentabilidade são fatores valorizados pelos investidores. As patentes, que também ainda são uma baixa do setor, contribuem na diferenciação.
Ele sugere três frentes práticas para atrair a atenção de investidores.
- Evidência e compliance: validação clínica e de impacto e atenção à regulação e privacidade de dados, o que reduz risco para compradores e investidores;
- Integração e parcerias: priorizar integrações e alianças com corporates, hubs e academias para acelerar a distribuição;
- Modelo de receita e escalabilidade: demonstrar uma receita anual recorrente previsível, baixa perda de cliente e potencial de expansão por cluster, ou seja, colaborações com negócios do setor, como redes de clínicas e planos de saúde.
“O investidor quer ver um produto que resolve um problema real, com clientes pagantes, preferencialmente B2B, e métricas claras de crescimento. Entregue isso e a probabilidade de atrair capital sobe significativamente”, analisa Góes.
Marcelo Tavares, professor da FIA Business School, também reforça a importância de soluções comprovadas com estudos ou pilotos. “Investidores do setor de saúde buscam reduzir a incerteza quanto à eficácia e à adoção da solução. A validação científica surge como um recurso fundamental para reduzir riscos”, explica. Segundo o especialista, a inovação em saúde requer evidências de viabilidade técnica e impacto clínico, já que a área está sujeita à elevada avaliação ética e regulatória.
A demonstração de impactos econômicos e de eficiência também são bem-vindos. “Mostrar como a solução reduz custos, melhora desfechos em saúde e otimiza recursos desperdiçados cria uma narrativa que conecta inovação tecnológica à sustentabilidade do sistema de saúde”, esclarece o professor.
Tavares enfatiza ainda a importância de se adequar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a aderência à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que demonstra maturidade organizacional e reduz barreiras de entrada no mercado.
Segundo Góes, expansão do mercado corporativo, demanda por soluções de bem-estar e modelos recorrentes de assinatura estão entre as oportunidades do segmento. “Há também espaço para internacionalização e para quem conseguir transitar da validação para tração rapidamente, o que traz vantagem competitiva”, adiciona o presidente da Abstartups.
O modelo SaaS
O Software as a Service, modelo de negócio que disponibiliza serviços sob demanda por meio de um navegador na internet, corresponde a 37,3% do que é adotado atualmente. Em seguida, aparecem: venda direta (18,4%), clube de assinatura recorrente (18,4%), marketplace (9,5%) e hardware para área da saúde (4,9%).
“A divisão reflete claramente o tipo de cliente: SaaS domina quando o público é B2B (59,8%) e B2B2C (19,5%) — modelos que … leia mais em pegn 06/10/2025

