O embate entre Tércio Borlenghi Jr., controlador da Ambipar, e os bancos Bradesco e Opportunity já tirou 6% do capital total da empresa das mãos do fundador. Como o Pipeline revelou, o empresário havia questionado a movimentação na Justiça, em ação que corre em sigilo – agora, comunicou oficialmente à empresa o saldo das alienações, que divulgou fato relevante.

Segundo Borlenghi, o Bradesco teria feito transferência de 72,23 milhões de ações da Ambipar que seriam de sua titularidade, das quais 15,89 milhões foram vendidas a mercado entre os dias 30 de setembro de 6 de outubro.

Já o Opportunity seria credor do FIP Everest, fundo de Borlenghi que tem o controle da Ambipar, também com ações em garantia. Neste caso, teria dado ordem à Genial para venda de 24,55 milhões de ações entre os dias 2 e 6 de outubro, que executou apesar da notificação do acionista.

A subtração das 97 milhões de ações de sua posição inicial de 73,48% da Ambipar teria resultado, agora, numa atualização dessa fatia para 67,68% do capital total – de forma “irregular, sem autorização do controlador e em descumprimento à medida cautelar”, diz o comunicado.

Borlenghi, na física, não está protegido diretamente pela cautelar mas seus advogados alegam que a proteção abarca “partes relacionadas” e que esse seria o caso. O empresário cita ainda possibilidade de medidas criminais.

“Informamos, ainda, que, diante das práticas aqui descritas, em evidente afronta à Tutela Cautelar e com possíveis implicações de natureza cível e criminal, estão sendo adotadas todas as medidas legais cabíveis para reversão da situação e aplicação das penalidades pertinentes ao caso”, diz o documento enviado por Borlenghi à Ambipar, que consta no comunicado a mercado.

O Opportunity é um dos maiores acionistas da Ambipar Response, listada na bolsa de Nova York a partir da fusão com uma Spac. Na semana passada, procurado pelo Pipeline, negou que seu fundo fosse credor de Borlenghi, detendo apenas ações de sua própria titularidade.

O Bradesco era o principal banco de relacionamento de Borlenghi: liderou seu IPO, assessorou aquisições, financiou a empresa e o empresário. Foi também o banco que citou em documento, pela primeira vez desde o início da crise financeira e reputacional da Ambipar, a palavra fraude. Num pedido à Justiça, em que foi derrotado pela Ambipar, solicitou o impedimento de venda de bens pessoais por Borlenghi, para que não haja esvaziamento patrimonial.

A juíza, no entanto, entendeu que ainda não há elementos para isso. “Não há qualquer evidência cabal, ainda, de gestão temerária a justificar qualquer conclusão pela desconsideração da personalidade jurídica, não sendo demais observar que eventuais créditos inadimplidos são devidos pela sociedade, não pelo atual administrador”, escreveu a juíza Ana Laura Rodrigues, da 3a Vara Cível do TJ-SP.

“O cenário apresentado, embora possa gerar no credor a expectativa de frustração de seu crédito, limita-se a meras conjecturas, por ora, pois ainda não existe qualquer conclusão quanto a ocorrência de fraudes e prejuízos”, emendou… leia mais em Pipeline 10/10/2025