Preservaland quer usar COP30 como vitrine para captar US$ 2 milhões
Mirando a COP30, a climatech Preservaland, empresa brasileiro-americana de compensação florestal, começou a captação de uma rodada seed de US$ 2 milhões para ser concluída ainda neste ano. A startup vai à conferência do clima em Belém para fazer um roadshow buscando fisgar o apetite de investidores interessados em negócios que unam preservação do meio ambiente e finanças.
A captação complementa um cheque de US$ 500 mil assinado em julho pelo Apalaches, venture capital da brasileira Trivèlla, gestora foi fundada por Jon Toscano, ex-Icatu Equity Partners responsável por assessorar o IPO da Bematech. Junto de Marcel Malczewski, fundador da Bematech, a dupla criou o Trivèlla M3, que deu origem à Quartzo Capital. Após sair da Quartzo, Toscano retomou a Trivèlla como veículo independente, com foco em private equity e venture capital.
Com a expectativa de captar US$ 2 milhões, o objetivo é utilizar o aporte para ampliar o número de clientes (por meio do networking de investidores estratégicos), acelerar a expansão do negócio para a Europa (um mercado que se mostra mais interessado em pautas ESG) e comprar terrenos que possam servir de compensação florestal.
Por meio de plataforma própria, a Preservaland conecta proprietários rurais a empresas, principalmente as de infraestrutura linear – como rodovias, ferrovias, linhas de transmissão, oleodutos, gasodutos e fibra ótica, que precisam de extensas compensações ambientais –, reduzindo um processo que costuma levar até cinco anos para cerca de 180 dias.
“A empresa nasceu com o objetivo de criar ativos de meio ambiente e monetizar a natureza”, explica o empresário Guilherme Santana, cofundador e CEO da Preservaland. Outros sócios são Maurício Benvenutti (StartSe e ex-XP), Caio Martinelli, Santiago Thomaz, Roberto Santacroce e Gustavo Hansel. O sexteto lançou a climatech no Vale do Silício para atuar exclusivamente com florestas no Brasil devido ao potencial ambiental. Um investimento-anjo de US$ 150 mil foi levantado no início.
Com acesso a proprietários de terras, a startup oferece às companhias os imóveis que podem ser usados para compensação por Reservas Legais Federais. A startup faz proteção de áreas de três a 200 hectares, todas na Mata Atlântica do estado de São Paulo. “Conservar um hectare na Amazônia tem relevância baixa, enquanto o impacto na Mata Atlântica é maior”, diz Santana.
O portfólio da Preservaland inclui pesos-pesados de infraestrutura como Tamoios e Rumo. A climatech fechou 2024 com faturamento de R$ 5 milhões, e a meta para este ano é duplicar esta cifra. Segundo Santana, como a empresa é geradora de caixa, a rodada de investimento vem para acelerar a expansão.
Para Toscano, amigo de Santana há mais de 20 anos, a Preservaland é um investimento estratégico por atuar em três segmentos diferentes: finanças, regulação governamental e clima. Ele ressalta que o negócio rentável atraiu a gestora. Como membro da conselho da DeLorean Partners, de Cingapura, sua expectativa é levar a Preservaland para o mercado asiático.
“Ao contrário de outros ativos no mercado, o valor de uma preservação florestal só tende a aumentar com o tempo”, diz ele. “O desafio é criar os instrumentos para que parte dos ativos de uma empresa seja em preservação.”… leia mais em Pipeline 15/10/2025

