As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sob o governo Donald Trump reacenderam tensões comerciais com Europa, China e países emergentes — e, segundo o economista Marcos Lisboa, expuseram novamente as fragilidades do Brasil. Ele afirma que o país não aproveita as oportunidades que surgem no comércio global por causa de problemas estruturais e de gestão.

O Brasil não vive um cenário apocalíptico, mas o da mediocridade”, resumiu, ao comentar a incapacidade do país de crescer de forma sustentável. Para ele, a economia segue presa a um sistema tributário disfuncional, políticas públicas ineficientes e decisões políticas que priorizam o curto prazo.

As declarações foram dadas no episódio 174 do Outliers, podcast do InfoMoney apresentado por Clara Sodré e Fabiano Cintra.

Ex-presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e doutor pela Universidade da Pensilvânia, Lisboa defendeu que a falta de qualidade técnica nas gestões públicas é o principal entrave ao desenvolvimento nacional.

Reformas travadas e gestões ineficazes

O economista criticou a condução de políticas econômicas nas últimas duas décadas e afirmou que o país desperdiçou tempo evitando enfrentar temas complexos.

Os governos preferiram adiar decisões difíceis. O resultado é um Estado caro, ineficiente e com baixa capacidade de entregar resultados.
— Marcos Lisboa, economista.

Na visão de Lisboa, o Brasil vive um ciclo de estagnação em que o crescimento é baixo e irregular. “A economia não entra em colapso, mas também não melhora. Fica parada, enquanto outras nações avançam”, disse.

Oportunidades exigem coragem política

Apesar do tom crítico, Lisboa reconhece que há espaço para crescimento — desde que o país promova reformas e estimule a inovação.

Ele defende um ambiente de negócios mais competitivo, menos dependente do Estado e com regras estáveis.

“Quando as empresas operam em um ambiente previsível e meritocrático, elas florescem”, afirmou.

Para o economista, o desafio é abandonar o improviso e adotar políticas baseadas em eficiência e racionalidade.

“O Brasil precisa de seriedade para fazer o básico funcionar. Não é falta de potencial, é falta de gestão”, concluiu… leia mais em InfoMoney 21/10/2025