A Bionexo, investida da Bain Capital, e a GTPlan, ambas fornecedoras de softwares para gestão hospitalar, estão brigando há quase uma década e o embate acaba de ganhar um novo capítulo policial. Primeiro, a Bionexo acusava a concorrente de pirataria de propriedade intelectual; agora, a GTPlan acusa a rival de espionagem corporativa e concorrência desleal.

Em junho, a Polícia Civil de São Paulo fez busca e apreensão na sede da Bionexo e na casa do ex-diretor comercial da empresa, Paulo Carvalho, que também já havia trabalhado na GTPlan. A investigação que correu desde então constatou que Carvalho transferiu e compartilhou dados sigilosos da GTPlan, como contratos, propostas, preços e clientes, com a ciência de diretores da Bionexo.

A Polícia concluiu o inquérito policial e acaba de indiciar Maurício Barbosa, fundador e presidente do conselho da Bionexo, Rafael Barbosa, ex-CEO e membro do conselho, Rodrigo Romero, vice-presidente da Bionexo, e Carvalho pelos crimes de associação criminosa, divulgação de informação sigilosa, concorrência desleal e invasão de dispositivos informáticos.

Segundo a apuração policial, os materiais da GTPlan teriam sido encaminhados ao vice-presidente da Bionexo, Rodrigo Romero, que supostamente comandou uma ação coordenada do time comercial para captar os clientes da concorrente, com direito a bônus. O inquérito lista como provas e-mail compartilhado por Romero com base de dados coletadas por Carvalho.

A investigação também aponta que o alto escalão da Bionexo mantinha reuniões semanais, com a presença de diretores e gestores comerciais, para monitorar um painel de indicadores apelidado de Placar, que exibia em tempo real as conversões e perdas de contratos da GTPlan.

O relatório final será encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que decidirá sobre o oferecimento ou não da denúncia criminal. A GTPlan também pretende entrar com ação de indenização por perdas, danos e lucros cessantes.

A Bionexo considera que o inquérito criminal é uma retaliação da GTPlan em relação a um processo sofrido por ela por pirataria de propriedade intelectual, no qual a Bionexo obteve decisão favorável contra a rival.

Nesta ação, a GTPlan teria feito um contrato para desenvolver e ceder um software de planejamento para a peruana Salog. O grupo então licenciou o uso para a Bionexo. A empresa peruana e a Bionexo acusaram a GTPlan de comercializar um software similar.

A 13ª Vara Federal do Rio de Janeiro determinou, em 2019, que a GTPlan deixasse de usar e comercializar esse software. A GTPlan diz que modificou completamente o software usado e não comercializa mais o antigo, mas a Bionexo entrou com outro processo, que corre em segredo de Justiça, acusando-a de continuidade de uso e descumprimento da determinação judicial.

Procurada pelo Pipeline, a Bionexo diz que o inquérito criminal “é uma tentativa retaliatória de um concorrente e ex-fornecedor, sem lastros técnicos, com a clara intenção de causar dano reputacional. A Bionexo protocolou petições junto ao Ministério Público apontando irregularidades e vícios que identificou, inclusive condutas e procedimentos incompatíveis com padrões esperados em casos dessa natureza”, afirma.

Já a GTPlan afirma, também em nota, que “a propagação de narrativas falsas pela Bionexo configura prática de terrorismo comercial e concorrência desleal, já objeto de inquérito policial que culminou no indiciamento de executivos da empresa… leia mais em Pipeline 31/10/2025