A startup de cibersegurança americana Netskope chegou à Nasdaq em setembro, um caso incomum em um setor conhecido por consolidações conduzidas por gigantes como Palo Alto Networks, CrowdStrike e Fortinet. Agora, com o selo de companhia listada, a empresa arregaça as mangas para expandir a atuação global – e o Brasil está na lista de prioridades.

Presente desde 2017, a Netskope inaugura seu quinto data center no país no primeiro trimestre, em local ainda não divulgado. Atualmente, ela tem dois no estado de São Paulo, um no Rio e outro em Brasília. O objetivo é tornar o intervalo entre comando e resposta – a chamada latência – para os clientes brasileiros menor do que se o processamento ocorresse em outro país.

A Netskope oferece soluções de cibersegurança para companhias que utilizam sistemas de nuvem e querem se proteger de ameaças. A companhia depende exclusivamente da ascensão desses serviços fornecidos pelas big techs, como Amazon Web Services (AWS), Azure (da Microsoft) e Google Cloud. Agora, com a demanda por IA, pode oferecer mais serviços de proteção para os clientes.

“Nós vemos o Brasil e a América Latina como mercados que rapidamente estão adotando a nuvem e que vão começar a adotar IA, e essa transformação digital vai ser essencial para nós”, explica Sanjay Beri, CEO da Netskope, fundada por ele em 2012 em Santa Clara, na Califórnia. “Por isso, estamos investindo bastante em infraestrutura para atender o mercado local.”

A cybertech estuda ainda abrir escritório no país e aumentar o ritmo de contratações no próximo ano. A operação local é comandada por Claudio Bannwart, que chegou em 2022 após nove anos liderando a Check Point no país. “Esse é um bom momento para nós, especialmente depois do IPO, porque os clientes nos veem como uma companhia mais forte”, explica o brasileiro.

A Netskope concluiu sua listagem na Nasdaq em 18 de setembro, após anos à espera de uma janela do mercado. A operação levantou US$ 908 milhões e estreou com alta de 18% no dia e valuation de US$ 8,6 bilhões ante os US$ 7,5 bilhões de uma rodada privada de mais de US$ 300 milhões de 2021 – liderada pela gestora Iconiq e com participação de Lightspeed, Accel, Sequoia, Geodesic, Sapphire, além do private equity brasileiro Base Partners, que tem o apresentador Tiago Leifert como sócio.

A Netskope foi a mercado antes de se tornar lucrativa, um ponto fora da curva para as startups. No último trimestre, faturou US$ 328 milhões em receita, mas amargou prejuízo de US$ 170 milhões, com objetivo de começar a gerar caixa no próximo ano.

Somente em 2025, o Google anunciou a aquisição da israelense Wiz, e a Palo Alto Networks informou ter planos para comprar a CyberArk por US$ 25 bilhões. Nomes como CrowdStrike e Zscaler também estão com apetite para M&As.

A Netskope não descarta entrar em transações semelhantes para alavancar crescimento, mas Berin não quer transformar o negócio em uma “one-stop shop” de cibersegurança. A estratégia é comprar tecnologias complementares ou adquirir times com expertise em uma área.”… leia mais em Pipeline 07/11/2025