A logtech PX Center, que conecta motoristas ociosos a frotas das transportadoras, está concluindo uma rodada de R$ 250 milhões liderada pela Bicycle Capital, gestora fundada pelo boliviano Marcelo Claure e pelo americano-queniano Shu Nyatta em 2023, após o primeiro deixar o SoftBank.

Na contramão do mercado, a startup de Joinville vai usar o cheque exclusivamente para crescimento, com a meta de faturar o primeiro R$ 1 bilhão já em 2027. “Não faz sentido ter dinheiro em caixa e ficar olhando para Ebitda, então agora vamos fazer uma queima ostensiva de caixa”, diz o CEO, André Oliveira, que fez carreira na Maximizar, de tecnologia para o setor imobiliário em Blumenau.

A primeira medida vai ser baixar as taxas cobradas das transportadoras de 20% a 30% para 10% a 15%, para aumentar a recorrência de contratos firmados pelos 1.500 clientes da plataforma – “e tornar o produto irresistível”, diz o CEO. Ele fundou a PX em 2019 com o amigo de infância Djefrei Pasch, que, antes de ser advogado, foi motorista profissional por dois anos e trouxe a ideia de empreender no segmento. O terceiro sócio, Thiago Alam, é o diretor de growth.

Essa é a terceira rodada da PX em pouco mais de um ano. No início do negócio, levantou R$ 2 milhões com a Random Ventures. Em julho de 2024, recebeu R$ 10 milhões com a Caravela Capital e, em dezembro, outros R$ 45 milhões com a Monashees. Agora, nessa rodada série B, a gestora de Claure é acompanhada por Monashees e Endeavor Scale-Up Ventures.

Na queima de caixa, a startup também quer crescer o produto de gerenciamento de riscos (Radar PX), utilizado por seguradoras do ramo de transportes, e tornar gratuita a plataforma de educação para certificar os motoristas, a Academia PX. “O perfil de mercado em que está a PX é de um player só, por isso queremos nos consolidar rapidamente”, explica Oliveira.

A saúde do negócio vai bem, garante o CEO. Em 2024, a empresa fez R$ 180 milhões de faturamento. Para este ano, a meta é R$ 360 milhões e, até abril de 2027, chegar a R$ 1 bilhão. Esse crescimento vai ser impulsionado pelo início da operação nos Estados Unidos, planejado para o ano que vem. Aí, depois de 2027, a empresa quer levantar uma rodada série C e planejar o IPO.

O negócio da PX, que opera como uma plataforma que conecta demanda e oferta, promete reduzir ociosidade das transportadoras, que conseguem colocar mais veículos seus nas ruas ao encontrar motoristas aptos para circular. Esses, por sua vez, conseguem encontrar transporte e carga. Cerca de 15% de todos os caminhoneiros registrados no Brasil integram a plataforma da PX, e empresas como JSL, Fedex, Ambev e Natura, entre outras, são clientes frequentes.

A tese é diferente da que orienta o unicórnio brasileiro Frete.com, da CargoX. A companhia fundada pelo argentino Federico Vega conecta transportadores autônomos (donos dos veículos) a empresas que querem terceirizar suas cargas. A PX opera com companhias que já têm frota, mas preferem contratar motoristas conforme a demanda… leia mais em Pipeline 10/11/2025