Em vez de crescimento de base, provedores buscam M&A, caixa e receita
Crescer por meio da ampliação da base de assinantes de banda larga já não é mais a principal estratégia dos provedores de serviços de Internet (ISPs). Agora, os pequenos prestadores buscam operações de fusão e aquisição (M&A), geração de fluxo de caixa e elevação de receitas, tanto via agregação de serviços quanto via reajuste de preços.
O novo momento dos provedores foi discutido por executivos de prestadores de pequeno porte nesta quinta-feira, 27, no primeiro dia do Abrint Nordeste, evento organizado pela Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), em Fortaleza.
Leonardo Gomes Filho, CEO da Proxxima, provedor cuja aquisição pela Zaaz foi anunciada nesta semana, aproveitou o painel para explicar as motivações por trás da venda da operação. De acordo com ele, a empresa crescia via financiamento. Contudo, em função dos juros elevados – a taxa Selic está em 15% ao ano –, “a tese de tomar dívida para crescer não se sustenta mais”.
Gomes Filho ainda disse que a consolidação é o que vai permitir ter empresas mais fortes no mercado, tendo em vista a necessidade de investimento em infraestrutura e tecnologia e a dificuldade de elevar os preços do serviço de banda larga.
“O nosso setor não cresce mais, não tem projeção futura e o custo do dinheiro está massacrando todo mundo. Mas ainda é válido realizar uma saída ou aporte estratégico”, afirmou.
“O nosso setor precisa ser reinventado. Estamos enfrentando NFCom, preços de postes, regularização fiscal para todo mundo… No fim do dia, só vai ficar quem é muito bom”, complementou.
Sem ampliar
Helder Araújo, CEO da He-Net Telecom, provedor que atua no interior da Bahia e conta com cerca de 105 mil clientes, disse que a empresa não busca mais ampliação de base. A estratégia atual é mais direcionada ao fluxo de caixa e à geração de receitas.
Inclusive, o ISP mudou a forma de avaliar as campanhas de marketing. Em vez de incremento substancial de carteira, as ações são mensuradas pela atração de clientes com melhores condições de pagamento.
“Quando ultrapassamos a marca de 70 mil assinantes, a ficha caiu. Entendemos que volume de base não significa ter uma boa empresa. A partir disso, paramos de comemorar novas aquisições de clientes e passamos a olhar o churn [taxa de evasão de assinantes], inadimplência e tíquete médio”, explicou.
Em uma situação parecida, Renato Machado, conselheiro da Abrint e CEO da Tuxnet, que tem cerca de 20 mil assinantes na região de Feira de Santana (BA), sugeriu que os donos de pequenos provedores, geralmente profissionais de perfil técnico, busquem formações em gestão empresarial.
“Base já não resolve nada. A gente esquece de ver a relação receita versus assinante”, sintetizou.
Medo de reajuste de preço
No mesmo painel, Rogério Garchet, CEO da Eletronet, operadora de infraestrutura de redes de fibra, recordou que, há cerca de uma década, o preço médio dos planos de banda larga no País gira em torno de R$ 100.
A critério de comparação, apontou que o tíquete médio em países emergentes, como África do Sul (R$ 180) e Turquia (R$ 150), é razoavelmente mais elevado.
Na avaliação de Garchet, as prestadoras de pequeno porte (PPPs) precisam “deixar de ter medo de reajustar o cliente”, pois não têm condições de competir por preço com as grandes operadoras, cujo fluxo de caixa é muito maior.
“O pequeno tem que investir em inteligência, estrutura de marketing e tomar decisões baseadas em dados. Hoje, dificilmente uma grande operadora entra numa cidade abordando 100% da cidade, porque ela faz uma análise de densidade econômica”, salientou… leia mais em teletime 27/11/2025

