Ripple Foods capta US$ 17 milhões e aposta em linha orgânica
A Ripple Foods, referência norte-americana em leite de ervilha, anunciou uma nova captação de US$ 17 milhões para ampliar sua atuação no mercado de bebidas vegetais. O aporte reúne investidores como Material Impact e Rich Products Ventures, além de nomes que já acompanhavam o crescimento da empresa, entre eles S2G Ventures, Prelude Ventures, Fall Line Capital, Euclidean Capital, Tao Capital Partners e Tim Koogle.
Com o novo aporte, a startup ultrapassa US$ 291 milhões levantados desde sua fundação.
A movimentação ocorre poucos meses após Becky O’Grady, ex-executiva de General Mills e Yoplait, assumir a posição de CEO. Para ela, o momento marca um avanço estratégico: a combinação entre força de marca e foco em execução coloca a empresa “numa posição privilegiada para alcançar todo o potencial”.
Como o “pea milk” sustenta o crescimento
Criada em 2014 por Adam Lowry e Neil Renninger, a Ripple se consolidou como uma das principais marcas ligadas ao leite de ervilha nos EUA. A proposta da empresa ganhou tração ao unir:
- Alto teor proteico
- Ausência dos nove principais alergênicos (incluindo castanhas, soja e lactose)
- Produtos voltados a diferentes perfis, como adultos, crianças e consumidores de bebidas proteicas
A formulação também se destaca por aproximar o valor nutricional do leite de origem animal. Uma xícara da versão original oferece:
- 8 g de proteína (equivalente ao leite tradicional)
- 50% mais cálcio
- Metade do açúcar
- Um terço das calorias da versão integral
- Zero colesterol e níveis mínimos de gordura saturada
A linha infantil — voltada a crianças de 1 a 5 anos — mantém a entrega proteica e adiciona prebióticos, ômega-3, ferro, vitamina D e B12. Já os shakes chegam a 20 g de proteína na versão adulta e 13 g na infantil, diálogo direto com o consumidor americano: em 2025, sete em cada dez pessoas declararam buscar aumentar a ingestão do macronutriente.
Mesmo assim, o consumo proteico no país segue majoritariamente associado a alimentos de origem animal. Apenas 18% dos consumidores usam alternativas vegetais como fonte de proteína, enquanto o leite de vaca ainda é prioridade para duas em cada cinco pessoas. Esse movimento ajuda a explicar:
- queda de 3% nas vendas de bebidas vegetais (12 meses até julho)
- crescimento de 5% no leite convencional
- retração de 1,6% na penetração das alternativas veganas
Ainda assim, a Ripple destaca que o foco proteico vem garantindo crescimento de receita em dois dígitos — um diferencial diante da desaceleração do setor.
Linha orgânica chega em 2026
Em um momento em que o mercado plant-based ainda se recupera da redução de investimentos, a rodada da Ripple mostra um cenário de confiança renovada. Para Melissa Fensterstock, da Material Impact, o direcionamento da nova CEO — equilibrando crescimento e lucratividade — reforça o potencial da marca. Ela destaca ainda o lado humano: produtos nutritivos, limpos e acessíveis para famílias que buscam opções fora da proteína animal.
Os novos recursos serão aplicados em ampliação de portfólio e distribuição. A partir do primeiro trimestre de 2026, a Ripple colocará no mercado sua linha de leites orgânicos, alinhada ao avanço da categoria: mesmo com a queda geral das bebidas vegetais, a vertente orgânica registrou crescimento de 18% em valor no último ano.
Além da oferta orgânica, a empresa pretende:
- ampliar a presença no segmento infantil
- fortalecer linhas com maior teor proteico
- expandir exposição em redes como Target, Whole Foods e Walmart
- avançar no foodservice, área estratégica para novos canais de consumo
“Estamos trazendo produtos inovadores, ampliando nossa penetração e fortalecendo parcerias que abrem novas frentes de crescimento”, afirmou O’Grady… leia mais em FoodBiz 04/12/2025

