Sócios de adquiridas da Ambipar acusam empresa de raspar o caixa
Sócios minoritários de empresas superavitárias que foram adquiridas pela Ambipar acusam o grupo de drenar o caixa da controlada com transferências diárias de recursos após pedido de recuperação judicial, criando risco para a sobrevivência dessas companhias – algumas dessas aquisições ainda nem foram quitadas.
O Pipeline apurou que ao menos quatro grupos, das empresas Drypol Ambipar Environmental Pet Solutions, Ambipar Environment Circular, Ambipar Environment Circular Economy FPI e Ambipar CBL Indústria e Comércio de Manufaturados, entraram com processo questionando a inclusão das companhias na recuperação judicial do grupo.
Esses acionistas alegam que as controladas se encontravam em situação de solvência e não tinham garantias cruzadas com o grupo Ambipar. No caso da Drypol, o juiz da 3ª Vara do Rio de Janeiro acabou acatando o pedido da empresa, que foi excluída como devedora do processo de recuperação judicial em decisão de 3 dezembro.
A inclusão na RJ foi feita sem a aprovação da medida em assembleia, o que fere o estatuto social e acordo de acionistas dessas empresas, argumentam esses minoritários.
A Ambipar cresceu por meio de aquisições de empresas pequenas e médias. Desde o IPO, em 2020, a companhia chegou a realizar um M&A a cada três semanas. Neste ano, no processo de recuperação judicial, foram incluídas 71 companhias, entre coligadas e controladas. Ficaram de fora 16 empresas, que não eram garantidoras ou não tinham garantias cruzadas com dívidas do grupo. A Ambipar pediu a consolidação substancial das operações do grupo a fim de facilitar a elaboração e aprovação de um plano de recuperação judicial.
Empresas como a Drypol afirmam que eram superavitárias e possuem operação independente do grupo. Com sede em Diadema, a Drypol atua em reciclagem de produtos plásticos e registrou lucro líquido de R$ 6,7 milhões em 2024 e de R$ 6,9 milhões neste ano, até setembro.
A empresa informou, no processo judicial, que em menos de 24 horas após a aprovação da recuperação judicial a Ambipar notificou a companhia para transferir todos os recursos do caixa diariamente, sob ameaça de crime de desobediência – o que a tornaria incapaz de honrar seus compromissos com fornecedores, empregados e demais credores operacionais.
“Trata-se de flagrante abuso de direito de voto, de poder de controle, desvio de finalidade e violação dos deveres de lealdade e diligência”, segundo o representante dos acionistas minoritários da Drypol no processo.
A Ambipar comprou 55% da Drypol em 2021 e nomeou o diretor de integração e finanças do grupo, Thiago da Costa Silva, e a diretora adjunta Luciana Nascimento, para liderarem a companhia, representando a Ambipar Response. Os sócios da família fundadora, Flávia e Maike dos Santos, continuaram na gestão, ocupando os cargos de diretora superintendente e diretor comercial e de operações respectivamente, com 49% da Drypol.
Pelo estatuto social da companhia, o pedido de RJ precisaria ser aprovado por um quórum de 75% dos votos em assembleia de acionistas. A reunião foi realizada em 10 de novembro, a recuperação judicial da empresa não foi aprovada por falta de quórum e o juiz Leonardo de Castro Gomes, da 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, resolveu tirar a empresa do processo.
A Drypol alega que nunca houve integração operacional nem financeira entre a companhia e as demais sociedades do grupo Ambipar. Além de ter pedido a retirada da empresa da consolidação substancial, a Drypol também pediu que cessem as transferências de recursos do caixa para a Ambipar, além do ressarcimento dos valores já repassados e imediato afastamentos dos diretores Silva e Nascimento das suas funções como administradores.
A Ambipar contesta a medida e diz que é avalista de dois contratos financeiros da Drypol com o Itaú e que a retirada da empresa do processo poderia gerar vencimento antecipado dessas dívidas.
A M&C também alega que a Ambipar contrariou o acordo de acionistas ao incluí-la no processo de recuperação judicial. Pelo acordo, enquanto os sócios minoritários da M&C, Marcelo e Camila de Oliveira, detiverem participação equivalente a 30% ou mais do capital da companhia, a aprovação de uma RJ demandaria anuência deles.
A Ambipar, através da subsidiária Environmental ESG Participações, adquiriu 51% da empresa em outubro de 2023, resultando na Ambipar Environment Circular Economy. A empresa atua na prestação de serviços de logística reversa e reciclagem de produtos eletrônicos. Assim como a Drypol, a empresa alega que é lucrativa e autossustentável, tendo fechado 2024 com faturamento de cerca de R$ 200 milhões, atingindo caixa de R$ 4,2 milhões em agosto e com alavancagem financeira negativa.
A Circular diz ter carteira de clientes próprios e não possuir garantias cruzadas com o grupo Ambipar. Mas, na assembleia de acionistas realizada em 19 de novembro, a controladora aprovou a inclusão da Circular na RJ e destituiu Marcelo Oliveira da presidência – que passou a ser exercida por Thiago Silva, o mesmo que estava na Drypol. O juiz responsável pela RJ disse que vai avaliar eventual irregularidade da inclusão da Circular no processo, após apreciar o resultado da assembleia.
A Ambipar alega que a empresa é … leia mais em Pipeline 09/12/2025

