Uma pesquisa realizada pela KPMG apontou que 62% dos executivos acreditam que a oportunidade de fusões e aquisições da América Latina nunca foi tão grande – um aumento de 17 pontos percentuais em relação a 2023. Quando questionados sobre os principais pontos fortes para realização de transações na região, o levantamento mostrou que as motivações estratégicas variam e os investidores diferenciam a abordagem conforme o país onde a operação será realizada: no Brasil, os fatores apontados foram crescimento do setor (33%) e avaliações atrativas (31%).

“Os investidores estão cada vez mais interessados em fusões e aquisições na América Latina, apesar dos desafios econômicos globais. O Brasil, maior economia da região, atrai, especialmente, pelo crescimento na agricultura e energia. O bom desempenho recente da bolsa de valores brasileira tem aumentado o apelo do país para tais operações. No entanto, complicações financeiras persistem devido às taxas de juros elevadas, que podem pressionar a precificação das transações”, disse o líder da prática de consultoria e estratégia da KPMG no Brasil e na América do Sul, Alan Riddell.

Confiança:

O estudo mostrou que os negociadores estão avançando com confiança: 57% dos executivos esperam aumentar a atividade de fusões e aquisições na América Latina, até o próximo ano. No entanto, essa certeza surge em um momento em que menos da metade (45%) dos negócios na região atinge o valor desejado após a fusão.

“No ambiente global incerto de hoje, a resiliência e o pensamento estratégico necessários são habilidades necessárias para criar valor a longo prazo. Aqui no Brasil, os negociadores mais bem-sucedidos estão aproveitando a modelagem financeira sofisticada para capitalizar as oportunidades dentro do ambiente econômico dinâmico, transformando a complexidade em vantagem competitiva”, analisa o sócio líder de consultoria da KPMG no Brasil e na América do Sul, André Coutinho.

Dois aspectos da região estão despertando o interesse dos investidores: a presença de setores de alto crescimento — como tecnologia, serviços financeiros e energia — e as avaliações atrativas das empresas locais. Por outro lado, 90% dos entrevistados disseram que questões tributárias impactaram os resultados das transações na América Latina, e 25% relataram que esses fatores levaram ao cancelamento de negócios em potencial.

Principais conclusões:

  • Aumento do volume de negócios: Em média, os profissionais de fusões e aquisições planejam aumentar o volume de transações para 2,94 negócios nos próximos dois anos.
  • Gestão proativa de riscos: Quase todos (99%) os profissionais de fusões e aquisições estão adaptando as estruturas de negócios para gerenciar riscos.
  • Consultoria em alta demanda: 57% dos executivos agora priorizam o acesso a modelos de consultoria de ciclo completo para os negócios de fusões e aquisições.
  • Adequação cultural: Continua sendo um dos principais desafios de integração para 43% dos executivos.

Sobre a pesquisa:

A pesquisa “Um roteiro para fusões e aquisições na América Latina” (do original em inglês, A roadmap for M&A in Latin America) foi realizada, em agosto e setembro deste ano, com 400 executivos seniores de diversas regiões do mundo, incluindo Brasil, Estados Unidos, Canadá, México e outros países das Américas, Europa e Ásia. Todos os participantes atuaram como compradores ou vendedores em uma transação na América Latina e trabalham em empresas com receita anual entre US$ 100 milhões e mais de US$ 100 bilhões… leia mais em iab Brasil 16/12/2025