O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) entrou em 2025 em um ciclo de retomada seletiva, marcado por maior previsibilidade econômica e operações mais estratégicas. Até agosto, foram registradas 954 transações no país, alta de 13% em relação a 2024, com destaque para 143 operações no setor financeiro, crescimento de 110%, segundo PwC e KPMG.

De acordo com David John Denton, especialista em M&A da Okto Finance, a combinação de menor taxa de juros, maior estabilidade macroeconômica e capital acumulado de fundos de Private Equity cria as bases para um mercado ainda mais ativo em 2026.

O especialista da Okto Finance destaca que a retomada do mercado não se reflete apenas no volume de operações, mas principalmente na qualidade dos ativos negociados. “Estamos observando uma maior seletividade nas operações, com foco em empresas que apresentam potencial de crescimento sustentável e inovação tecnológica. Setores como inteligência artificial, fintechs, healthtechs e energia renovável estão atraindo tanto investidores nacionais quanto estrangeiros, o que indica uma tendência de consolidação estratégica”, afirma Denton.

Além da retomada do apetite por aquisições, 2025 foi marcado pela atuação mais intensa de fundos de Private Equity, que acumulam capital e buscam tanto novas aquisições quanto oportunidades de saída. Para David Denton, o ambiente mais estável tem sido determinante para destravar negociações. “A redução dos juros e a maior previsibilidade macroeconômica diminuíram o desalinhamento de expectativas entre compradores e vendedores, o que facilita a conclusão das transações”, explica.

Segundo ele, a demanda por tecnologia permanece como um dos principais motores do atual ciclo de M&A, refletindo uma mudança estrutural na forma como empresas e investidores avaliam valor e competitividade. “O interesse por companhias ligadas a inteligência artificial, cibersegurança e transformação digital cresce de maneira consistente, impulsionado pela necessidade de ganho de eficiência, escalabilidade e proteção de dados. Essas áreas deixaram de ser vistas como iniciativas complementares e passaram a ocupar um papel central na estratégia dos negócios, influenciando diretamente decisões de aquisição e consolidação”, afirma.

Para 2026, a expectativa é de continuidade do ciclo, ainda que com maior cautela diante do calendário eleitoral no Brasil e em outras economias relevantes. O ambiente político tende a influenciar o ritmo das negociações, especialmente no primeiro semestre, enquanto investidores aguardam maior clareza sobre diretrizes econômicas, fiscais e regulatórias. Segundo Denton, períodos eleitorais costumam alongar processos de decisão, mas não interrompem operações estruturais. “As eleições aumentam a volatilidade e podem postergar anúncios, mas a tese de investimento permanece sólida em setores como infraestrutura, energia, tecnologia e logística, que seguem atraindo capital mesmo em cenários de maior incerteza”, conclui… leia mais em Tiinside 17/12/2025