Medline avança em IPO bilionário e pode liderar mercado global de aberturas em 2025
A Medline avança para concluir uma oferta pública inicial (IPO) que pode se tornar a maior abertura de capital do mundo em 2025, após superar uma série de atrasos causados por volatilidade de mercado, tarifas comerciais e paralisações do governo americano. Segundo a Bloomberg, a fabricante de suprimentos médicos busca levantar até US$ 5,37 bilhões na listagem prevista para esta terça-feira.
Controlada por Blackstone, Carlyle e Hellman & Friedman desde uma transação de US$ 34 bilhões em 2021, a Medline deve precificar a oferta na metade superior da faixa indicativa de US$ 26 a US$ 30 por ação, de acordo com informações da Bloomberg News. Quase metade do volume pretendido já está garantida por investidores âncora.
Caso atinja o valor máximo, a operação será o maior IPO realizado nos Estados Unidos em 2025 e poderá superar todas as ofertas globais do ano, consolidando-se como um marco para o mercado de capitais em um período ainda marcado por seletividade dos investidores.
A empresa fabrica e distribui itens essenciais ao setor de saúde, como luvas de exame, máscaras, seringas e swabs, além de atuar como distribuidora de produtos de terceiros. Um dos pilares da estratégia, segundo executivos, é ampliar gradualmente a participação de produtos de marca própria nos contratos de fornecimento, movimento que tende a elevar margens ao longo do tempo.
Doug Golwas, diretor comercial da Medline, descreveu essa dinâmica como um “efeito volante”: em novos contratos de distribuição, produtos próprios costumam representar cerca de 10% do volume inicialmente, percentual que pode alcançar até 60% à medida que os clientes migram para o portfólio da companhia.
De acordo com Jonathan Palmer, analista de saúde da Bloomberg Intelligence, o modelo de negócios da Medline cria um ciclo virtuoso ao combinar escala, geração robusta de caixa e uma presença profunda na cadeia de suprimentos hospitalares, o que dificulta comparações diretas com pares como Cardinal Health, McKesson ou fabricantes tradicionais de equipamentos médicos.
A listagem era esperada desde o fim de 2024, quando a empresa protocolou confidencialmente o pedido de IPO junto à SEC. Incertezas relacionadas a tarifas e o shutdown do governo dos EUA adiaram os planos, levando a Medline a apresentar o pedido público apenas no fim de outubro e a aguardar uma janela mais favorável após o feriado de Ação de Graças.
Apesar das preocupações com tarifas, a exposição da companhia é considerada limitada. Apenas 16% do custo total de mercadorias vendidas tem origem fora dos Estados Unidos, segundo documentos da oferta. A empresa estima impacto no lucro antes de impostos entre US$ 325 milhões e US$ 375 milhões em 2025, com redução significativa em 2026.
Nos nove meses encerrados em setembro, a Medline registrou receita de US$ 20,6 bilhões, Ebitda ajustado de US$ 2,66 bilhões e lucro líquido de US$ 977 milhões, superando os resultados do mesmo período do ano anterior.
Analistas alertam, contudo, que a empresa ainda enfrenta desafios, como a necessidade de reduzir alavancagem e sustentar o ritmo de crescimento para justificar uma avaliação premium. A administração afirmou que pretende usar o excesso de caixa para diminuir o endividamento, levando a alavancagem líquida para abaixo de três vezes.
Segundo a Bloomberg, investidores parecem mais confortáveis com a capacidade da Medline de repassar custos e preservar margens do que estavam há alguns meses, o que ajuda a explicar a forte demanda pela oferta mesmo em um ambiente ainda cauteloso para IPOs… leia mais em LIDE 16/12/2025

